Existia algo imperdível em Victor. Algo tão tentador, que eu nem saiba descrever, ou até mesmo sentir.
Esse negócio de estar dividida entre dois caras perfeitos estava sendo demais pra mim. Eu me sentia ridícula, e queria acabar logo com isso. Só não sabia como, e não saber resolver as coisas sempre me deixou, nem que fosse um pouco, com o orgulho ferido.
“Artie, a gente pode voltar para o carro agora?” respondi demonstrando confusão na voz.
“Mas nós não íamos voltar a pé?”
“Sim, mas... não faz o menor sentido ir a pé, quando que você tem um carro” E aquela famosa mania de ‘vomitar palavras’ havia se manifestado novamente.
“Ah...” Ele foi seco, mas isso era o mínimo que podia ser.
“E então?” Parei e esperei ele responder, esperando ser surpreendida por um ‘Ok, vou buscar o carro pra ir embora’.
“Então espere aqui. Vou buscar o carro” Fiz cara de surpresa, logicamente. Mas um pedaço minúsculo do meu coração resolveu se partir antes que a voz da razão resolvesse dizer algo ao ver os olhos verdes de cristal dando a ultima olhada, como se soubesse de algo.
O esperei. Não por muito tempo, mesmo que tivesse parecido uma eternidade, porque quando sua cabeça está a mil, qualquer segundo parecem ser minutos de horas.
Ele parou o carro alguns metros distante de onde eu estava. Eu observava Artie e ele estava com a cabeça baixa, e os braços apoiados no volante do carro. Entrei no carro, e ele não ousou dizer qualquer coisa, ou fazer qualquer murmúrio até chegar à minha casa.
Antes de sair do carro, encostei totalmente no assento e respirei fundo.
“Acho que nós temos que parar com isso.” Disse encarando o asfalto pelo retrovisor.
“Com o que, exatamente?”
“De sair juntos, de viver situações que tenho certeza que você não gostaria”
“Porque você diz isso?”
“Porque ta na cara que eu não sou seu tipo, tá na cara que você não gosta de mim. Sei lá, eu só quero acabar logo com isso.”
“ Você é a única por quem eu senti algo de verdade, isso não ta na cara também? ”
“Na verdade, não. Preciso ir, valeu pela carona”. Deu o tempo de um colocar a chave na maçaneta para ouvir o carro sair a toda velocidade, como se de fato, o carro pudesse expressar os sentimentos dele.
Era terrível pensar que os olhos verdes poderiam se afogar em lágrimas de arrependimento ou, pior ainda, de tristeza. Mas eu estava decidida. Estava decidida, mesmo que isso fosse me custar algo. E aparentemente, não custaria nada.
Ao entrar, ajudei meu pai nos afazeres de casa, coisa rápida e fácil.
“Boa noite, filha! Obrigado por se esforçar hoje para me ajudar” Ele deu um sorriso torto e de leve, subiu para o seu quarto, morrendo de vontade de descansar o corpo, e principalmente os pensamentos. Nunca entendi porque o meu pai se impressionava no meu menor esforço, era, no mínimo, constrangedor. Para ele, claro.
Me larguei no sofá confortável, que não era fundo onde meu pai sempre sentava.
Os pensamentos vieram à tona. A cólera que eu sentia de mim mesma era profunda e cativante, como se não houvesse nenhum sentimento mais extremo e palpável.
As lágrimas queriam rolar pelo meu rosto, mas eu tinha descoberto que os muros emocionais estavam tão altos, que nem um dilúvio poderia ultrapassá-los. Nada que estava ao meu alcance poderia ser mais frio que tudo isso, nem o vento, nem a neve. Mesmo que estivesse bem próximo disso. Me sentia só, mas a companhia do meu cachorro seria perfeita, se eu tivesse um.
E no meio de raiva, arrependimento e gelados ventos interiores, Victor parecia a solução perfeita.
“Sim, mas... não faz o menor sentido ir a pé, quando que você tem um carro” E aquela famosa mania de ‘vomitar palavras’ havia se manifestado novamente.
“Ah...” Ele foi seco, mas isso era o mínimo que podia ser.
“E então?” Parei e esperei ele responder, esperando ser surpreendida por um ‘Ok, vou buscar o carro pra ir embora’.
“Então espere aqui. Vou buscar o carro” Fiz cara de surpresa, logicamente. Mas um pedaço minúsculo do meu coração resolveu se partir antes que a voz da razão resolvesse dizer algo ao ver os olhos verdes de cristal dando a ultima olhada, como se soubesse de algo.
O esperei. Não por muito tempo, mesmo que tivesse parecido uma eternidade, porque quando sua cabeça está a mil, qualquer segundo parecem ser minutos de horas.
Ele parou o carro alguns metros distante de onde eu estava. Eu observava Artie e ele estava com a cabeça baixa, e os braços apoiados no volante do carro. Entrei no carro, e ele não ousou dizer qualquer coisa, ou fazer qualquer murmúrio até chegar à minha casa.
Antes de sair do carro, encostei totalmente no assento e respirei fundo.
“Acho que nós temos que parar com isso.” Disse encarando o asfalto pelo retrovisor.
“Com o que, exatamente?”
“De sair juntos, de viver situações que tenho certeza que você não gostaria”
“Porque você diz isso?”
“Porque ta na cara que eu não sou seu tipo, tá na cara que você não gosta de mim. Sei lá, eu só quero acabar logo com isso.”
“ Você é a única por quem eu senti algo de verdade, isso não ta na cara também? ”
“Na verdade, não. Preciso ir, valeu pela carona”. Deu o tempo de um colocar a chave na maçaneta para ouvir o carro sair a toda velocidade, como se de fato, o carro pudesse expressar os sentimentos dele.
Era terrível pensar que os olhos verdes poderiam se afogar em lágrimas de arrependimento ou, pior ainda, de tristeza. Mas eu estava decidida. Estava decidida, mesmo que isso fosse me custar algo. E aparentemente, não custaria nada.
Ao entrar, ajudei meu pai nos afazeres de casa, coisa rápida e fácil.
“Boa noite, filha! Obrigado por se esforçar hoje para me ajudar” Ele deu um sorriso torto e de leve, subiu para o seu quarto, morrendo de vontade de descansar o corpo, e principalmente os pensamentos. Nunca entendi porque o meu pai se impressionava no meu menor esforço, era, no mínimo, constrangedor. Para ele, claro.
Me larguei no sofá confortável, que não era fundo onde meu pai sempre sentava.
Os pensamentos vieram à tona. A cólera que eu sentia de mim mesma era profunda e cativante, como se não houvesse nenhum sentimento mais extremo e palpável.
As lágrimas queriam rolar pelo meu rosto, mas eu tinha descoberto que os muros emocionais estavam tão altos, que nem um dilúvio poderia ultrapassá-los. Nada que estava ao meu alcance poderia ser mais frio que tudo isso, nem o vento, nem a neve. Mesmo que estivesse bem próximo disso. Me sentia só, mas a companhia do meu cachorro seria perfeita, se eu tivesse um.
E no meio de raiva, arrependimento e gelados ventos interiores, Victor parecia a solução perfeita.
