Ela parecia ter interesse em mim. Era evidente que ela tinha medo, não das consequências, mas dos seus próprios sentimentos. Eu sei que eu ficava com várias outras garotas. Mas eu tinha um motivo que ela não sabia. Alias, ninguém sabia, e talvez ela seria a primeira. Eu a amava de verdade, a ponto de contar pra ela.
Sabe, ela me encantou desde a primeira vez, naquela sorveteria. Ela me encantou só de ter aquela presença incomparável, com aqueles cabelos bagunçados e com roupas simples que caiam tão bem naquele corpo magro e definido. Ela chamou minha atenção de uma forma indescritível. Era linda aos meus olhos, ela era diferente de todas e de qualquer coisa que eu já pude conhecer, até hoje. Ela não fazia o tipo padrão das garotas de Nova York. Era uma raridade que estava se aproximando de mim e eu não ia deixar passar um centímetro sem ao menos conhece-la. Na verdade, eu perdi muito tempo deixando tudo se passar. Eu já pude ver no rosto dela que as coisas não estavam fáceis, nem para mim estavam. Eu só não queria ser o desfeixo dessa solidão. Eu só queria que tudo ficasse bem com ela, e para isso eu precisei me afastar, eu precisei colocar meus pensamentos em ordem.
Eu também tinha medo. Medo de tudo que eu pudesse sentir, ser ferido e jogado fora, como se fosse algo momentâneo da minha vida. Era algo tão bom que eu iria fazer de tudo pra dar certo, eu iria até o fim para ser dono de cada batimento cardíaco e de cada suspiro dela. Nosso beijo foi tão natural. Nada foi forçado ou dramático. Apenas aconteceu por conta da atração de nossos corpos. Não foi por interesse algum além de mostrar meu amor, que estava sempre crescendo. Talvez, no começo, foi mesmo por uma atração. Uma atração por nada. Como se eu estivesse sendo atraido por vagalumes: brilhantes, simples e chamativos. Só sei que agora eu me impressionava a cada hora passada ao seu lado, ou até mesmo contemplando seu rosto de longe. Era bom de qualquer forma. Mas o amor estava me cegando porque eu não podia pensar que eu a machucaria com meus atos inconsequentes, num futuro próximo. O amor me cegava a ponto de acreditar que ela jamais poderia me fazer mal com seus atos conscientes. Alice era diferente, mas não era idiota e eu devia saber disso.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Capitulo 14- Alice
Dos poucos- dois- amigos que eu tinha, Laura era a que eu mais me encontrava, apesar de nós sermos totalmente diferentes. Claro que Victor já tinha se tornado um considerável amigo, mas Laura era diferente.Confesso que fiquei um pouco envergonhada com o beijo de Artie. Foi uma experiencia perfeita, com certeza. Mas minhas reações eram inesperadas. Eu reagia no impulso, e meu impulso era: olhar para o chão, falar num tom abafado, não olhar nos olhos e mudar o assunto do qual me deixa sem graça e me faz viajar pensando em tudo o que eu poderia fazer se tal coisa acontecesse. Eu tinha contado para Laura o que houve, mas sem detalhes porque detalhes nunca foram uma boa opção para mim, definitivamente, eu não era boa com as palavras. Sempre tinha um bloqueio entre a organização de meus pensamentos e minha boca, as palavras saiam atordoadas.Talvez seja por isso que eu só digo o necessário. E Laura sempre me deixava sem graça com seus comentários, mas fez eu me sentir bem e quis me converncer de que Artie era o 'homem da minha vida'. Eu sei que era exagero, mas eu só conseguia o ver dessa forma. Laura também dissera que eu devia tomar cuidado, porque não era qualquer olhar que poderia substituir o dele. Mas para minha foi uma idiotice momentânea, porque para mim era obvio que nada poderia substitui-lo. Mas eu devia acreditar. Eu só queria pensar em ter aquele beijo que me deixava acelerada, feliz e cada vez mais sonhadora novamente. Eu conseguia ser, de fato, feliz com a presença de Artie, conseguia esquecer todos os meus problemas e de quão perseguidor era meu passado. Artie tinha dominado minha mente de uma forma constante e irrevogável. Era quase indescritivel.
No dia seguinte nós nos vimos, eu passei por ele, mas não aconteceu nada além de troca de olhares e sorrisos disfarçados. Eu odiei ter que me conter, quando o que eu mais queria era sentir seus braços fortes entrelaçando meu corpo, como se eu fosse dele. O resto do meu dia foi com Laura, mas ela estava quieta por algum motivo que ainda não teria digerido, e mantido em segredo. Então foi como se eu estivesse sozinha. Depois ela me chamou para sair, talvez para contar o que estava acontecendo, mas eu preferi como de costume, sentar naquela praça. Dessa vez, para relembrar do que era bom, para sentir boas emoções novamente.
Fiquei lá por bastante tempo imaginando minha vida e ouvindo músicas tipo John Mayer. Eu fiquei lá, observando o dia nublado e fazendo varias analogias. Eu estava profunda como o oceano, e resolvi escrever, depois de tanto tempo. Eu tinha medo de escrever novamente, não pelas palavras que seriam escritas mas, sim, por medo de perdê-los novamente, como quem perde sem saber o por que, a essência do perdão.
Me virei para pegar meu caderno (eu finalmente tomei coragem), mas parecia que ele tinha se escondido em meio às suas próprias folhas e à escuridão do forro interno da mochila, pois demorei para o achar.
"Até que enfim te achei!" eu pensei alto.
"Nossa, eu que o diga, te procurei por toda parte, achei você tinha ido embora." uma voz veio por tras de mim, era uma voz conhecida, aquela voz que ficou na minha mente por um tempo estava bem nos meus ouvidos. Eu olhei para o lado, e la estava ele.
"Você ja devia saber que eu venho aqui quase todos os dias." eu disse por impulso.
"Posso começar a vir aqui com você, se você quiser, claro" eu olhei em seus olhos e eles sorriam.
"Seria uma boa ideia?" eu disse ironicamente.
"Acho que tudo seria uma boa ideia para mim, se eu estiver ao seu lado" e sentou do meu lado e passou seus braços por cima de mim, me abraçando.
Eu só consegui sorrir, e tentar não ficar vermelha, mas não consegui dizer nada. Fiquei ali aconchegada em seu peito, sentindo o cheiro doce de seu perfume masculino importado. Era tudo o que eu mais queria. Na verdade, era só o que eu queria.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Capitulo 13- Alice
Ele tinha o carro do ano: um Aston Martin Vantage prata. O pai dele pagava a faculdade para ele e ele dava festas onde cabiam a galera de todos os cursos de pós-graduação. Ele era perfeito. Tinha os olhos castanho claros e era loiro. Com um sorriso encantador ele era perfeito, mas não era para ser meu.
Ele começou a me dar atenção. Ele sabia do que eu gostava e sempre vinha com novidades minhas, que eu sequer lembrava. Ele até me convenceu que ir no tal churrasco seria uma boa ideia para me distrair dos problemas. Eu cedi minha presença mesmo sabendo que talvez eu poderia me arrepender disso.
"Ah Alice, vai ser legal, você vai ver!" eu abaixei a cabeça meio indecisa e ele me deu um beijo na testa. E eu sorri por dentro.
"Espero que sim." e pensei como Victor era legal, ele me confortava mas continuei com a cabeça baixa, sem dizer mais nada. Quando eu dei por mim, eu estava sozinha. O Victor tinha desaparecido dali. Talvez alguém teria chamado ele, mas eu não ouvi.
Eu estava naquela praça novamente. Na praça que eu comecei a chamar de "Praça do Café". Eu estava sozinha, e novamente com meu celular, exatamente no mesmo lugar onde eu perdi os rascunhos manchados de café dos meus sonhos, que o Victor nunca comentou. Me senti sendo abraçada por alguém que estava atrás de mim. Eu o olhei, e ele estava discretamente chorando, como se estivesse faltando algo pra ele.
"Me desculpa" ele disse tentando conter as suas próprias lágrimas.
"Pelo o que mesmo?" e lá tinha ido a chance de eu dizer apenas um 'sim', e acabei sendo seca até com os meus sentimentos.
"Eu me afastei de você !" e enxugou as olheiras que estavam molhadas naquela hora, com seu moletom vermelho da GAP.
"Eu sei, e por que as desculpas por isso ? Eu afastei as pessoas muito mais do que o normal ultimamente e..." não consegui terminar a frase, pois fiquei me culpando por pensamento por ser tão imbecil.
"E.. E foi nessas de afastar as pessoas que eu estou envolvido no seu abraço agora, que eu estou apaixonado por você e cada movimento seu..." e ele continuou falando coisas que eu acredito que foram lindas, mas eu não ouvi, porque meu pensamento repetia a mil por hora que ele estava envolvido no meu abraço e que estava apaixonado por mim. Eu olhei para os seus olhos e abri um sorriso. Os meus pensamentos estavam a mil, mas as palavras travaram na hora que eu fui falar, e só consegui dizer:
"Obrigado por me arrancar um sorriso, Artie. Sincero desta vez." Meus olhos se iluminaram como o sol, e brilharam como a lua, e meus lábios sorriam desejando Artie, o meu príncipe encantado dos sonhos que estava aos poucos, se tornando real.
Meu desejo foi atendido quase imediatamente. Ele me olhou e foi chegando cada vez mais perto de mim. Até que nossos lábios se encontraram e eu me deixei levar pela emoção sentindo seu rosto molhado de lágrimas junto ao meu. Eu estava sentindo o gosto de seu beijo pela primeira vez. E, finalmente, tinha gosto daquilo que eu tanto sonhei. Gosto de sentimentos guardados e lembranças novas, um quadro resgatado, cheio de memórias.
Ficamos ali por alguns segundos, ou minutos. O bastante para o momento ser intenso e para eu ficar fora de mim, para me tornar outra pessoa. Acabei usando aquele disfarce de olhar no relógio de pulso e dizer que eu estava atrasada, para evitar me perder muito mais naquele mar verde e cristalino de seus olhos. Ele aceitou, sem hesitar, dizendo apenas um 'tchau' e continuou ali sentado me vendo partir.
domingo, 12 de junho de 2011
Capitulo 12- Alice
Nessa solidão eu encontrei, quer dizer, resgatei Artie lá do fundo, novamente. Comecei a lembrar de como aquele olhar cheio de palavras e sentimentos múltiplos e indecifráveis e aquele sorriso delirante me faziam esquecer de tudo. Eu ficava de cabeça fria e coração quente, eu ficava sempre ao contrario do que eu era. Me tornava uma outra pessoa, de fato.
Laura continuou o resto da semana com licença medica, não que fosse algo preocupante.
Na sexta-feira, estava eu, de tarde, sentada no banco da praça da faculdade, no dia mais pensativo que eu já pude ter até hoje, tomando Starbucks e escrevendo numas folhas aleatórias apoiando num caderno, com meu cachecol colorido e Aquele all star, sozinha. Não era nada surpreendente eu estar sozinha. Mas pensativa e de cachecol colorido ? Tinha algo acontecendo comigo.
Coloquei os fones de ouvido do meu Samsung. Eu tinha um iPod, mas eu preferia as musicas do meu celular. Eu estava perdendo tempo lá, mas eu queria sair um pouco da rotina. Na verdade, não mudaria nada eu estar sentada numa praça. Ou pelo menos, eu achava que não mudaria nada.
Continuei sentada lá até o fim da ultima aula, ao som inspirador de "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith, quando surge o menino mais atraente aos meus e aos olhos de varias outras solteiras de até cinco anos mais velhas, me entregando um convite, sem ao menos dizer uma palavra. Eu olhei o convite no mesmo silêncio.
"Churrasco numa casa de praia ?" eu disse com aquela desconfiança. É. Aquela.
"Sim, estamos chamando um pessoal para ir. Vai ser numa das casas do meu pai. Mas as outras informações estão aí." ele disse se convencendo que eu realmente iria. Ele disse com aquela voz tão linda, que eu fiquei olhando fascinada. A voz de Artie, consequentemente, virou uma vaga lembrança, virou um sonho. Um sonho noturno. Pois sonhar acordada com Artie era quase impossível depois de só o ver de longe. O destino não cruzava nossos caminhos, haviam meses. Haviam meses que o meu príncipe encantado dos sonhos estava vivendo sua vida. E eu, sobrevivendo.
"Espera aí! Você entregou para a pessoa errada" eu estava convicta.
"Eu tenho certeza que não. Alice Kirtke, não é ?" e depois pensei como ele sabia que EU era a Alice Kirtke.
"Sim. Mas..." e fui logo cortada.
"Ah! Já ia me esquecendo. Entregue o de sua amiga, Laura Zimmer, por favor ?" e abriu o sorriso iluminado, que eu não via há tempos, que eu sentia saudades. Eu sentia saudades de suspirar apenas por alguém, ou melhor, por Artie abrir a boca e mostrar aqueles dentes totalmente alinhados, brancos e perfeitos, com aquele sorriso que pode iluminar o mundo. Ou melhor, o meu mundo.
"Cla-claro, sem problemas." Gaguejei, dei um sorriso quase forçado e fiz aquela cara de como isso era óbvio. "Mas, porque estão ME convidando ?" e apontei para mim mesmo fazendo uma cara de interrogação.
"Estamos convidando a todos os que cursam Direito e Jornalismo. Mas mesmo se fosse mais particular, você iria mesmo assim. Afinal, você é super comentada num dos melhores grupos de estudo do Jornalismo." e continuou com aquele sorriso lá, como quem quer algo.
"Grupos de estudos ? Hã ? De quem ?" me tornei eufórica "Digo, quem é daquele grupo?" e voltei instantaneamente ao normal. Algo meio bipolar.
"Ah, estão a Rose, Marco, Artie, Ash..." eu o interrompi. E disfarcei olhando no meu simples relógio de pulso, que ficava no meu pulso esquerdo.
"Nossa, o A..A.. Olha, preciso ir, obrigado pelo convite" A palavra Artie simplesmente se trancou às minhas cordas vocais, com correntes e cadeados. Saí como uma desesperada, fechando meu caderno e derrubando um pouco de café, esquecendo totalmente as folhas que eu escrevia no chão.
Fiquei atordoada. No caminho, fui me acalmando, e fui andando mesmo até lá, pensando em como Artie Lewis podia sair falando de mim da maneira que ele achasse que deveria. Ele podia, no mínimo vir se desculpar por isso. Eu não ia me importar de dizer um 'sim''.
Cheguei em casa e arrumei minhas coisas. Percebi que estava faltando algo...algo importantissimo. Eram minhas histórias, baseada em fatos reais. Fatos tão reais, que qualquer um que lesse podia saber de tudo o que se passava na minha vida e na minha mente. Situações que eu desejava passar com Artie, o meu principe encantado dos sonhos, também estavam lá. Eram esboços dos meus pensamentos. Eu só tinha descoberto que escrever era uma ótima forma de externar meus sentimentos, de escrever minha vida, as vezes, de forma diferente, como eu gostaria que ela fosse. E eu tinha deixado os esboços e sonhos de uma vida surreal, mas válida, nas mãos do tentador Victor.
Laura continuou o resto da semana com licença medica, não que fosse algo preocupante.
Na sexta-feira, estava eu, de tarde, sentada no banco da praça da faculdade, no dia mais pensativo que eu já pude ter até hoje, tomando Starbucks e escrevendo numas folhas aleatórias apoiando num caderno, com meu cachecol colorido e Aquele all star, sozinha. Não era nada surpreendente eu estar sozinha. Mas pensativa e de cachecol colorido ? Tinha algo acontecendo comigo.
Coloquei os fones de ouvido do meu Samsung. Eu tinha um iPod, mas eu preferia as musicas do meu celular. Eu estava perdendo tempo lá, mas eu queria sair um pouco da rotina. Na verdade, não mudaria nada eu estar sentada numa praça. Ou pelo menos, eu achava que não mudaria nada.
Continuei sentada lá até o fim da ultima aula, ao som inspirador de "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith, quando surge o menino mais atraente aos meus e aos olhos de varias outras solteiras de até cinco anos mais velhas, me entregando um convite, sem ao menos dizer uma palavra. Eu olhei o convite no mesmo silêncio.
"Churrasco numa casa de praia ?" eu disse com aquela desconfiança. É. Aquela.
"Sim, estamos chamando um pessoal para ir. Vai ser numa das casas do meu pai. Mas as outras informações estão aí." ele disse se convencendo que eu realmente iria. Ele disse com aquela voz tão linda, que eu fiquei olhando fascinada. A voz de Artie, consequentemente, virou uma vaga lembrança, virou um sonho. Um sonho noturno. Pois sonhar acordada com Artie era quase impossível depois de só o ver de longe. O destino não cruzava nossos caminhos, haviam meses. Haviam meses que o meu príncipe encantado dos sonhos estava vivendo sua vida. E eu, sobrevivendo.
"Espera aí! Você entregou para a pessoa errada" eu estava convicta.
"Eu tenho certeza que não. Alice Kirtke, não é ?" e depois pensei como ele sabia que EU era a Alice Kirtke.
"Sim. Mas..." e fui logo cortada.
"Ah! Já ia me esquecendo. Entregue o de sua amiga, Laura Zimmer, por favor ?" e abriu o sorriso iluminado, que eu não via há tempos, que eu sentia saudades. Eu sentia saudades de suspirar apenas por alguém, ou melhor, por Artie abrir a boca e mostrar aqueles dentes totalmente alinhados, brancos e perfeitos, com aquele sorriso que pode iluminar o mundo. Ou melhor, o meu mundo.
"Cla-claro, sem problemas." Gaguejei, dei um sorriso quase forçado e fiz aquela cara de como isso era óbvio. "Mas, porque estão ME convidando ?" e apontei para mim mesmo fazendo uma cara de interrogação.
"Estamos convidando a todos os que cursam Direito e Jornalismo. Mas mesmo se fosse mais particular, você iria mesmo assim. Afinal, você é super comentada num dos melhores grupos de estudo do Jornalismo." e continuou com aquele sorriso lá, como quem quer algo.
"Grupos de estudos ? Hã ? De quem ?" me tornei eufórica "Digo, quem é daquele grupo?" e voltei instantaneamente ao normal. Algo meio bipolar.
"Ah, estão a Rose, Marco, Artie, Ash..." eu o interrompi. E disfarcei olhando no meu simples relógio de pulso, que ficava no meu pulso esquerdo.
"Nossa, o A..A.. Olha, preciso ir, obrigado pelo convite" A palavra Artie simplesmente se trancou às minhas cordas vocais, com correntes e cadeados. Saí como uma desesperada, fechando meu caderno e derrubando um pouco de café, esquecendo totalmente as folhas que eu escrevia no chão.
Fiquei atordoada. No caminho, fui me acalmando, e fui andando mesmo até lá, pensando em como Artie Lewis podia sair falando de mim da maneira que ele achasse que deveria. Ele podia, no mínimo vir se desculpar por isso. Eu não ia me importar de dizer um 'sim''.
Cheguei em casa e arrumei minhas coisas. Percebi que estava faltando algo...algo importantissimo. Eram minhas histórias, baseada em fatos reais. Fatos tão reais, que qualquer um que lesse podia saber de tudo o que se passava na minha vida e na minha mente. Situações que eu desejava passar com Artie, o meu principe encantado dos sonhos, também estavam lá. Eram esboços dos meus pensamentos. Eu só tinha descoberto que escrever era uma ótima forma de externar meus sentimentos, de escrever minha vida, as vezes, de forma diferente, como eu gostaria que ela fosse. E eu tinha deixado os esboços e sonhos de uma vida surreal, mas válida, nas mãos do tentador Victor.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Capitulo 11- Alice
Naquela noite eu dormi. Apenas dormi. Sem sonhar e, pelo visto, nem ousei a mexer um músculo do meu magro corpo. Eu dormi pensando que talvez todos os meus sonhos noturnos, aqueles fatos que ficam no nosso subconsciente e viram psicologicamente um sonho quando apenas fechamos os olhos e continuamos com nossa respiração ofegante (às vezes, eu sonhava tão alto que eu podia rir ou falar tão alto, que todos ouviam) virariam pesadelos, aqueles medos que ficam empoeirados dentro de nós e que ao fechar os olhos, sua respiração quase não sai e seu coração bate tão rápido que cansa, que as vezes, até suamos, porque na verdade, os medos se tornam realidade na nossa mente oculta, os medos tomam vida vida bem atrás de nossas pálpebras, o medo é assim: quando menos se espera, ele esta lá, vivo na sua mente. E tudo isso aconteceria comigo, ao pôr da lua.
Fiquei uma semana inteira sem ir na faculdade, sem sair desnecessariamente da casa de Laura. Aquela semana foi pensante, um tanto reflexiva sobre o conceito chamado família. Uma coisa que eu já andei perdendo há dois anos atrás, quando o amor daquela casa foi levado para longe do mundo natural, para longe de todos, sem mais, nem menos. Se eu não dançasse ballet, se eu não corresse atrás do meu sonho, eu teria uma mãe, eu teria o amor e o equilíbrio de casa, eu teria uma família. Eu abriria mão de um sonho, para ter minha mãe, para ter uma família construída e unida. Se eu soubesse que o acidente iria acontecer com mamãe, eu teria faltado no festival. Mas a vida não avisa quando trás novidade, seja ela boa ou ruim. E com isso, todos nós estamos lidando, desde a hora em que somos chamados de puros, de prontos para nascer. Mas nunca fomos prontos. Nenhum ser vivente dessa Terra nasce pronto para sempre receber surpresas boas ou ruins, para acordar um dia e mesmo com as coisas planejadas, sempre ter algo surpreendente.
Minha caverna interior estava confortável, estava quente e apesar do calor, eu gostava disso. E mesmo estando escuro, eu podia ver algumas estrelas. Poucas. Mas eram o suficiente para eu chamar de "pontos de esperança".
Tive que sair do meu conforto na casa de Laura e voltar aos estudos na semana seguinte. Quando voltei estavam todos já sabendo fazendo comentários aleatórios. Nunca direcionado para mim, ficaram somente nas indiretas. Estava desconfortável, nunca poderia acreditar que eu seria alvo de fofocas. E não vou culpar Laura, porque ela era a única que sabia e com certeza contou a alguém que tinha aquele senso de curiosidade e disse dos meus problemas para todos. Acredito que foi por falta do que fazer. Mas, se não for, prefiro acreditar que foi realmente por falta do que fazer. Por mais que eu ache estranho esse lance de ser humano, não gosto de pensar que esta sempre nítido o lado ruim das pessoas.
Prefiro ficar sozinha nos intervalos. Só ficava junto com alguém quando eu ia embora. E esse alguém era Laura, para variar.
O tempo não estava nada quente em nenhum período de Março. Estava tudo tão frio, congelante e congestionante que eu já podia sentir o cheiro da neve. Eu gostava mais do frio. Tinha tudo a ver com meu estado emocional: congelando.
Eu passei o dia seguinte sem ninguém, isso inclui Laura. Ela ficou doente por causa do ar gelado e seco que vinha de encontro a nossos rostos. Então, fique sozinha, me afastei de todos. Mas não faria tanta diferença assim. Nada mudaria, nada importava. Afinal, nada importa quando você precisa estar sozinha, mesmo sabendo que precisa de ajuda. Eu escolhi isso. A solidão teria se tornado minha melhor amiga, havia um bom tempo.
Fiquei uma semana inteira sem ir na faculdade, sem sair desnecessariamente da casa de Laura. Aquela semana foi pensante, um tanto reflexiva sobre o conceito chamado família. Uma coisa que eu já andei perdendo há dois anos atrás, quando o amor daquela casa foi levado para longe do mundo natural, para longe de todos, sem mais, nem menos. Se eu não dançasse ballet, se eu não corresse atrás do meu sonho, eu teria uma mãe, eu teria o amor e o equilíbrio de casa, eu teria uma família. Eu abriria mão de um sonho, para ter minha mãe, para ter uma família construída e unida. Se eu soubesse que o acidente iria acontecer com mamãe, eu teria faltado no festival. Mas a vida não avisa quando trás novidade, seja ela boa ou ruim. E com isso, todos nós estamos lidando, desde a hora em que somos chamados de puros, de prontos para nascer. Mas nunca fomos prontos. Nenhum ser vivente dessa Terra nasce pronto para sempre receber surpresas boas ou ruins, para acordar um dia e mesmo com as coisas planejadas, sempre ter algo surpreendente.
Minha caverna interior estava confortável, estava quente e apesar do calor, eu gostava disso. E mesmo estando escuro, eu podia ver algumas estrelas. Poucas. Mas eram o suficiente para eu chamar de "pontos de esperança".
Tive que sair do meu conforto na casa de Laura e voltar aos estudos na semana seguinte. Quando voltei estavam todos já sabendo fazendo comentários aleatórios. Nunca direcionado para mim, ficaram somente nas indiretas. Estava desconfortável, nunca poderia acreditar que eu seria alvo de fofocas. E não vou culpar Laura, porque ela era a única que sabia e com certeza contou a alguém que tinha aquele senso de curiosidade e disse dos meus problemas para todos. Acredito que foi por falta do que fazer. Mas, se não for, prefiro acreditar que foi realmente por falta do que fazer. Por mais que eu ache estranho esse lance de ser humano, não gosto de pensar que esta sempre nítido o lado ruim das pessoas.
Prefiro ficar sozinha nos intervalos. Só ficava junto com alguém quando eu ia embora. E esse alguém era Laura, para variar.
O tempo não estava nada quente em nenhum período de Março. Estava tudo tão frio, congelante e congestionante que eu já podia sentir o cheiro da neve. Eu gostava mais do frio. Tinha tudo a ver com meu estado emocional: congelando.
Eu passei o dia seguinte sem ninguém, isso inclui Laura. Ela ficou doente por causa do ar gelado e seco que vinha de encontro a nossos rostos. Então, fique sozinha, me afastei de todos. Mas não faria tanta diferença assim. Nada mudaria, nada importava. Afinal, nada importa quando você precisa estar sozinha, mesmo sabendo que precisa de ajuda. Eu escolhi isso. A solidão teria se tornado minha melhor amiga, havia um bom tempo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Capitulo 10- Alice
Eu me sentia a vontade com Laura, eu podia ser eu mesma com todos os defeitos e as poucas qualidades e ela me ouviria e me compreenderia mesmo assim. E eu gosto de ressaltar que ela era uma pessoa fantastica. Ela me entendeia apenas pelo olhar. E me passava uma confiança inexplicavel. Por ter essa confiança nela, eu falei de tudo com ela, nós conversamos bastante, mesmo eu sendo a ouvinte na maiori das vezes.
Depois de horas de papo jogado fora, eu fui para casa, a pé mesmo com meu all star velho e pensamentos recentes. Jurava que naquela noite, durante a caminhada até em casa, eu podia tirar meus pés do chão de tao alto que eu sonhava. Pode parecer estranho eu dizer ser o que eu sou enquanto vou longe de tanto sonhar. Mas é que com o Artie eu me sentia bem. Eu me sentia confortada, mas não exclusiva. É verdade que eu não estava com ele, mas é como se eu estivesse de alguma forma. Insana. Patética. Se bem que ja seria um bom começo, pois as pessoas são assim: insanas e pateticas. Um tanto estranhas, digo.
Sinceramente, eu não queria estar em casa naquela noite. Naquela noite em que o alcool entrou em minha casa e destruiu o pouco que sobrava, do que eu chamava de lar, de familia e o pouco que eu tinha de conforto e, digamos, sentimento. Sabe o que é ter um pai que, por conta de uma perda, se alcoliza para tentar superar isso ? Sabe o quão dificil é perder uma mãe da noite pro dia, sem mais nem menos ? Sabe o que é ter um irmão ausente, que mesmo voce precisando ele nao vai poder estar com voce ? Sim, são coisas horriveis, coisas que eu passei. Coisas que ainda não desgrudaram do meu presente, e nem do meu futuro. E agora, sabe o que é estar a menos de um passo do que dizem ser uma pessoa fria ?
Eu só pude chorar e gritar. Chorar mais do que meus olhos poderiam suportar. Gritar mais do que minhas cordas vocais poderiam aguentar. Lembro de me ver sentada no chão, ouvindo a voz do meu irmão (que estava lá, por incrivel que pareça) tentando socorrer aquele humano que eu podia chamar de pai, que por sinal, estava aos gemidos, gemidos que eu desejei até hoje, nunca ter escutado.
Nem Artie, seus olhos e toda a sua sinceridade poderiam me tirar dessa caverna interior, desse buraco que eu mesma cavei, para me esconder da vergonha e do medo. Não tinha como nao ter mais receio das pessoas depois disso, nao tinha como confiar em alguem de certo modo. Talvez, isso me deixaria melhor, mais forte. Mas essa era a parte boa, a parte inexistente na minha vida.
"Ei, aonde você vai?" a unica reação do meu irmão ao me ver saindo com umas duas malas de casa."Para longe daqui." como se fosse óbvio dizer isso.
"Você vai ficar bem não vai?" ele disse preocupado.
"Prometo. Mandarei noticias" Foi tão involuntario dizer isso. Foi como se eu acabasse de vomitar palavras em cima do meu irmão.
Bati a porta com a vontade de que ela não abrisse mais para ninguém. Na hora, só consegui pensar em ver Laura então fui até a casa dela, e ela deixou eu ficar lá pelo tempo que eu precisasse. Nós conversamos pouco sobre o que tinha acontecido. Não queria falar disso tudo, ainda era como um baque pra mim , ainda machucava.
"Quer conversar?" Laura disse toda seria. E foi a unica vez na vida que eu a vi assim: toda séria.
"Não. Não agora." eu ja disse esticando os lençóis."Tudo bem, eu vou estar aqui se quiser conversar, ta?"
"Sim, obrigado. Por tudo." e peguei na mão dela com a menor condição de agradecer. E fomos para a cama dormir.É a vida que muitas vezes acaba com nossas expectativas.
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