terça-feira, 1 de novembro de 2011

Capítulo 25- Alice



Odiava a sensação de estar dividida. De uma parte de mim estar no mundo de Artie, e outra estar no mundo de Victor. 
Mesmo que era por Artie os meus sentimentos mais sinceros, Victor conseguia me deixar pensando nele, nem que fosse por uma fração de tempo. Era, de longe, inevitável.
Porque Victor tinha que aparecer justo quando a minha vida estava 'resolvida?' 
Porque...
Porque sim.
Droga.
Saí apressada de onde eu estava conversando com Victor, sem me arrepender de palavra dita a ele. Orgulho. É, pode ser.
Vi que Artie estava parado perto de um poste de luz, prestando atenção em meus movimentos ligeiros, e talvez, até imaginando o que eu estava fazendo com Victor. Bem, ele só não imaginou como também perguntou.
"O que você estava fazendo lá com o Victor?" Senti as palavras chicoteando meu rosto e apertando meus pulmões.
"Trocando palavras" eu não diria que aquilo foi uma conversa "ele apareceu do nada, e eu não podia simplesmente ignorá-lo" É, não mesmo.
"Eu não confio nele, Alice" Os olhos verdes almejantes e delirantes se desviaram da direção dos meus.
"Nem em mim?" Coloquei a mão no queixo dele, deixando que a cabeça dele se apoiasse em meus dedos e fosse levantada lentamente pela força de minhas mãos.
"Confio em você" ele sorriu e me abraçou e a sensação de estar segura tomou conta de mim.
Nunca consegui entender o porque que as coisas aconteciam simplesmente para nos separar. Eu apenas gostava de imaginar que era porque realmente iria valer a pena.
"Vamos embora?" Ele sussurrou no meu ouvido. Em questão de segundos, observei o tempo e pensei que era uma ótima ideia.
"Vamos" Dei um sorriso que foi retribuído imediatamente.
Estávamos andando em direção ao estacionamento de mãos dadas e o perfume de Artie exalando em minhas narinas. "Espere aqui" Ele disse, e eu sem entender, assenti. Quando ele voltou, segurava a jaqueta dele, e a minha.
"Tome, você vai precisar" Disse arrumando a jaqueta no corpo.
"Vou?"
"Vai, a não ser que você queira ficar com frio o resto do caminho, porque vamos a pé" Lancei um olhar apreensivo.
"Mas é muito longe e..."
"Não tem problema, vai ser legal, você vai ver"
É, te digo que ele me convenceu e fomos andando. Era longe de fato, mas toda a distância se tornou imperceptível perto de Artie.
Estava frio e logicamente tinha várias pessoas nos cafés da cidade. Os braços de Artie estavam por cima dos meus ombros, e novamente o perfume dele vinha de encontro com meus pulmões, só que dessa vez misturado com cheiro de café. Mas nem os dois aromas que mais me encantam conseguiam tirar a imagem de Victor da minha cabeça. Ele parecia ter o dom de aparecer quando eu menos queria, seja pessoalmente ou apenas na minha mente.
"Olha, Alice, que casal mais bobo... Um fica sujando a ponta do nariz do outro" Artie apontava para um casal, aparentemente feliz, se sujando carinhosamente com a espuma do Capuccino. Eu dei uma olhadela rápida, não dando a mínima pros casais ali presentes, pois o conflito comigo mesma só aumentava a cada vez que o perfume de Artie me fazia fechar os olhos e repensar em minha situação.
Não sei de quem tenho mais raiva: de Artie por ser tão perfeito, Victor por ser tão surpreendente ou de mim, que não consegue deixar de ser atraída pelos dois. Eu sempre quis tudo muito definido na minha vida, com limites e consequências caso eu ultrapasse esses limites... escolhi Direito como curso justamente por isso, mas a vida parece querer me ensinar de que nem tudo é preto ou branco, luz ou trevas. Ela parece querer me mostrar que há mais dentro de mim do que eu mesma digo conhecer... há MENOS dentro de mim do que eu digo ter: menos auto-controle, por exemplo, porque se eu o tivesse não estaria pensando novamente em Victor e em como seria essa caminhada para casa se fosse ele ao invés de Artie.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Capítulo 24- Victor

Caminhava lentamente pela rua, que estava solitária e silenciosa num dia cinza com direito a neblina e vento gelado, e eu me perguntava se teria como tudo ficar mais perfeito. Naquele domingo, ao menos para mim, as horas se passavam lentamente, o que já era algo surpreendente. Mas, porque eu estava caminhando numa manhã de domingo mesmo? Seguindo minhas vontades? Só podia ser. Eu me sentia bem, mas esse sentimento era limitado ao pensar em Alice. Alice. Esse nome de novo na minha mente...
Encostado numa árvore, os pensamentos que eu evitava a muito tempo, vieram á tona. Ela e Artie, meus supostos sentimentos por ela, minha amizade com Artie. Não queria compreender tudo isso, era muito difícil, na verdade. Eu nunca achei que omitir tudo para Artie naquele dia no refeitório iria adiantar algo.
Não, não estava nada certo, e eu não devia ter ficado debaixo daquela árvore por tanto tempo.
Continuei caminhando com os últimos pensamentos vagos no meu subconsciente, querendo tomar algum rumo que fizesse tudo isso desaparecer.
Um parque, pensei.
Um parque de diversões, seria bom para extravasar. Chamar alguns amigos era legal, mas talvez eu pudesse ficar sozinho mesmo. Eu e meus sentimentos.
Eu tive que pegar um táxi para ir até lá, e me praguejei por não estar de carro quando a chuva fina começou.
Paguei o ingresso, entrei. Estava meio vazio, e depois eu reparei no tempo ruim que estava para ir num parque de diversões. Caminhei afim de encontrar algum brinquedo legal, mas o que me chamou atenção mesmo foi um jogo de armas. Incrível. Fiquei lá por quase uma hora, e ganhei tickets suficiente para trocar por qualquer coisa. Saí de lá e fui direto trocá-los. De longe eu já o avistava, e tinha umas três pessoas na fila mas eu ainda não enxergava os rostos delas.
Ando rápido, na esperança que ninguém entre na fila. Rápido. Rápido. Paro. Devagar. Paro novamente antes mesmo de chegar, dessa vez por um motivo surpreendente. Um rosto conhecido, um rosto magnificamente perfeito, o rosto de Alice.
Ela era a primeira da fila, estava debruçada no balcão, esperando o funcionário dar uma sacola meio grande pra ela. Eu a olhava um pouco distante, e talvez ela fosse a paisagem que eu mais gostava de apreciar. E a pergunta que eu me fazia no começo do dia foi respondida quando ela se virou e olhou diretamente para mim. Se tinha como algo ficar perfeito, Alice era o mais próximo disso.
Caminhei em sua direção, ela hesitou mas logo veio até mim também.
"Você por aqui..." sem abraços ou beijos dela, apenas um sorriso forçado para demonstrar simpatia.
"É, não imaginava te encontrar aqui"
"Nem eu, na verdade"
"Hum, e como você tá?"
"Muito bem. Estou em casa com meu pai, finalmente" E ela sorriu, como quem não quer nada.
"Fico feliz por você!"
"Obrigado. E você está bem?"
"Na medida do possível" Encarei os olhos tão nítidos de Alice, e eu me indagava sobre o que se passava na cabeça dela.  "Eu sinto a sua falta" Eu disse, sem querer.
"Oh, Victor. Eu também sinto sua falta... Sinto falta de conversar todos os dias e sobre tudo com você, da nossa amizade... M-mas não do que criamos depois disso." Direta. Essas palavras doeram, foram certeiras como uma flecha.
"Não sei... Não sei se posso entender isso agora."
"Tente. Porque agora estou com Artie e estou muito bem ao lado dele" E como se já não bastasse, ela continuou. "Desculpe,  tenho que ir." Seguido de um aceno de mão, ela se virou e foi andando e andando, até eu enxergá-la longe nos braços de Artie.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Capítulo 24- Artie Lewis

Eu estava feliz por Alice. Ela merecia ter a família do lado dela. Mas já tinha se passado dois dias que eu não a via e só depois da quinta mensagem, ela me ligou.
"Oi, desculpa não ligar antes..."
"Aconteceu alguma coisa? Fiquei preocupado"
"Não, não aconteceu nada demais, aliás, foi uma chatice não conseguir te ligar"
"Então, porque não me ligou?"
"Meu pai... Eu quis separar esse tempinho pra dar atenção pra ele e garantir que ele não faça nenhuma merda por aí" Nós rimos juntos.
"Ah sim.. E você aceitaria se eu te chamasse pra sair hoje?"
"Hum... Pra onde?"
"Ah, qualquer lugar, se bem que não seria nada mal ir pra um parque de diversões hoje, né..."
"Nesse frio?" Ela soltou uma breve gargalhada. "É realmente uma boa ideia."
"Você fala sério?"
"É, poder ser." Pensei brevemente em como o amor de família pode mudar alguém. Ainda mais alguém como Alice.
Fechei os olhos ao encerrar a chamada, lembrando de como ela era perfeita para mim e sua sinceridade me deixava cada vez mais próximo dela.
Estava um dia frio, de fato. Não era bem o meu clima favorito, mas era o dela, e por isso, achei que seria perfeito.
Cheguei na casa dela depois de algumas horas. Eu buzinei e ela veio até o carro. "Wow, ela está linda" pensei.
E realmente ficava linda de jeans, com uma blusa que tinha o símbolo do U2, uma camisa azul escura e logo por cima, uma jaqueta de couro e com os cabelos presos num elástico azul claro de forma frouxa, eu não pude deixar de notar mais uma vez em como eu fui me apaixonar tanto por ela e em como ela era perfeitamente diferente das outras. Se tudo isso não fosse dar certo, eu tinha a certeza que eu a desejaria até o último minuto da minha vida, mesmo que o rosto dela virasse apenas vestígios em minha mente depois de um tempo.
Ela entrou no carro, e logo seu perfume doce logo encheu meus pulmões.
"Oi Artie" Ela disse sorridente, e logo me deu um beijo rápido antes que eu falasse algo. Depois dei partida que foi logo seguida de algum período de silêncio, um silêncio que quase dava para ouvir nossos pensamentos se atropelando com o barulho matinal de domingo.
"Achei que você não viria..." Eu disse sem desviar os olhos do cruzamento.
"Claro que eu viria." Não soou tão convincente, e talvez, ela percebeu  isso. Ela colocou a mão no meu joelho enquanto mexia com a outra no iPod.
O silêncio dominou todo o espaço novamente quando ela terminou de contar, no detalhe, tudo dos seus dias. O parque de diversões não era tão perto e, a única maneira de quebrar o silêncio foi colocando um CD do Aerosmith, fazendo com que nós dois cantássemos empolgadamente enquanto ouvíamos Jaded, e caímos na gargalhada logo depois.
Quinze minutos bastaram para eu poder estacionar em frente ao parque e sairmos de mãos dadas. Lá estava levemente cheio, já que era domingo e estava um tempo nada favorável para famílias se divertirem como se realmente estivesse Sol.
Algumas das barraquinhas de tickets estavam abertas, e eram as mais divertidas, e Alice me surpreendera mais uma vez com sua mira impecável. Ela ganhou uma bola de beisebol simples, assinou e me deu, a qual eu guardo até hoje.
Passamos por uma montanha russa, e eu desejei, quase de súbito, estar lá sentindo o vento forte rebater no meu rosto. Maldita paixão por coisas radicais.
"Ei, em qual barraca vamos agora?" Ela perguntou se debruçando no meu ombro direito, e era oportunidade perfeita para irmos onde eu tanto queria.
"Hum... Acho que já temos bastante tickets. Que tal irmos ali?" E apontei para a montanha russa. Alice olhou e fez uma cara de reprovação.
"A-HÁ, ali eu não vou jamais, se quiser ir sozinho, eu fico aqui para trocar os tickets" Ela estava convicta.
"Sério?" Sorri e ela assentiu.  "Está bem, me espere que talvez eu não demore."
"Não vou ligar se demorar" Ela me deu um beijo no rosto. "Vá e se divirta, vou ficar olhando você fazer aquilo que eu não tenho um pingo de coragem...."
Pude ir tranquilo, e de qualquer lugar que eu olhasse, eu podia vê-la sentada no banco, me observando.
Depois de uma fração de tempo, finalmente me sentei no carrinho e apertei meus cintos, sentia a adrenalina correr pelo meu corpo. Olhei para o lado para ver se encontrava Alice. Ela estava lá ao longe no lugar que trocava tickets. E isso deveria ser bom se ela não estivesse na companhia de Victor.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Capítulo 23- Alice

Eu estava batendo as unhas, já roídas, na mesa de jantar, notavelmente ansiosa pela chegada dos dois. Eu não sabia como iria reagir ao olhar para meu pai, o que me deixava num desespero mental. O tempo demorava pra passar, parecia que eu nunca tinha esperado tanto na minha vida. Até que lembrei de um jogo de guerra, que ainda estava lá, intacto, me fazendo lembrar dos dias em que eu e meu irmão se divertia muito jogando-o. Me sentei de pernas cruzadas e joguei até a hora que escutei um barulho de carro estacionando. Eu podia muito bem ir abrir a porta e ser muito simpática e receptiva. O problema era não saber se devia mesmo fazer isso ou não. E escolher entre fazer ou não fazer, acabei desligando o vídeo game e sentei no sofá com as pernas encolhidas e cara de nada, esperando que um dos dois abrissem a porta. E depois de alguns segundos, foi feito o esperado. Meu pai estava parado na porta, de aparência saudável e eu não pude deixar de sorrir,mesmo contra minha vontade, vendo meu pai fazer o mesmo. Minha felicidade estava maior que eu, haviam dias que eu não parecia estar na mesma melancolia de sempre. Meu pai ficou estático na porta a poucos metros de mim, segurando a maçaneta com uma mão e a outra, solta. Meu irmão chegou logo atrás e ao ver papai parado olhou para mim e pode enxergar meu sorriso e entender tudo o que se passava em minha mente, e Matt deixou que algumas lágrimas contáveis rolassem de seus olhos levemente esverdeados para sua face, e em seguida repousou uma das mãos sobre o ombro de papai, pedindo para que ele entrasse.
Uma coisa é certa: Não importa as vezes em que seu pai te machucar, você vai dizer que o odeia quando, na verdade, o mais profundo da sua alma grita somente por amor.
E fiz o que uma filha profundamente apaixonada faria. Percorri os poucos metros de distância ainda existentes entre nós e o abracei forte. Para minha parcial infelicidade, eu tinha exatamente a mesma personalidade do meu pai. Eu sentia demais e demonstrava de menos,e por isso não trocamos palavras sequer. Tenho certeza que ele estava pensando em falar alguma coisa, assim como eu. Mas mesmo não dizendo nada, esse dia foi marcante para mim, trazendo nostalgia nos dias de hoje.
"James, sente-se aqui enquanto eu e o Matt preparamos a mesa." Peguei na mão dele e o acompanhei até a sala de estar, e fui encontrar meu irmão na cozinha, que me puxou de canto e disse num sussurro, não percebendo que a cozinha ficava numa distancia grande da sala.
"Ei, você podia chamar ele de pai a partir de agora?!" deu enfase no 'pai'.
"Vou tentar. Não é tão fácil assim ta?" disse como se você óbvio.
Matt só assentiu com uma cara meio repreensiva e fomos arrumar a mesa.
Passaram se ali alguns minutos, e por fim estávamos reunidos, finalmente, como família. Meu irmão enchia papai de perguntas e curiosidades. Papai comentou de como foram os processos de recuperação, o que me prendia pelo menos um pouco no que ele dizia. E conversamos por horas.
"Maninha, conta pra ele do seu namorado...." Arqueou as sobrancelhas, na esperança que eu contasse. Contar coisas de irmã mais velha para o pai só pode ser coisa de irmãos mais novos.
"Ah não... Não é nada demais, hum p-pai" Disse olhando pro prato. Não me sentia com liberdade de falar disso com ele, muito menos para chamá-lo de pai, e então escondi meu rosto no meio dos meus cabelos rebeldes. Era óbvio que eu precisava me acostumar com isso, o quanto antes.
"Tudo bem, apenas traga-o um dia para um jantar aqui em casa." E por um instante a voz de James ecoava pela minha mente no mesmo tom compassivo.
"Wow, muito boa a ideia pai" Matt disse com uma das expressões convincentes dele. Eu dei de ombros.
"Bem, vou pro meu quarto arrumar as minhas coisas. Não vou sair de lá, caso precisem de mim" Me retirei da mesa de forma prática, recebendo os olhares vagos sobre mim. Não importava o tanto de informações compartilhadas juntos, como família, não teríamos aquela intimidade. Era triste por um lado, mas eu não ligava muito.
Estava arrumando minhas coisas, quando dei conta de que talvez os dias seriam mais difíceis se eu não fosse ver Artie sempre, já que eu teria que dar atenção pro meu pai agora. Era um momento instável, eu tentava por isso com convicção na minha cabeça. Mas, o que estava acontecendo comigo? Como Artie Lewis pode me mudar tanto?
Era impressionante, e eu sorria a toa mesmo, só por lembrar que tudo corria bem. Eram expectativas que iam além de tudo o que eu planejei.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Capítulo 22- Alice

Dez e trinta e cinco, manhã de domingo. Acordei num pulo ao ver a nota com alarme do meu celular, me lembrando que eu teria um almoço em família ao meio dia. Os últimos dias em que eu estava com Artie me fizeram esquecer disso completamente. Cocei os olhos e coloquei umas pantufas qualquer. Vesti a primeira calça jeans que vi e que eu tivesse certeza de que cobrissem minhas meias coloridas, peguei um suéter vermelho e um casaco preto pra por em cima, já estava tudo tão corrido que eu não queria nem pensar em sair de outro jeito.
Nesse meio tempo, uma mensagem de Artie chegou. "Acho que te acordei. Não paro de lembrar como você fica linda com cara de sono. Vai dar tudo certo hoje, te amo." Foi tranquilizador e por um momento, me sentei na cama e recordei os últimos momentos com Artie, lembrando da hora que adormecemos no sofá e quando eu acordei, os olhos verdes estavam meio fechados, mas observadores, e eu não pude evitar de me deixar levar pelo sentimento estúpido de me apaixonar um pouco mais.
Comecei a arrumar minhas malas logo em seguida, respirando fundo e pensando em como poucos meses, ou até dias podem mudar muita coisa. Era uma sensação estranha voltar para casa depois de tudo o que aconteceu, e mais estranho ainda era ver que eu tinha forças para isso.
Depois, desci e tomei um breve café da manhã com Laura e aproveitei para conversar bastante com ela. Olhei no relógio, e já eram quase meio dia. Comecei a suar frio, me despedi de Laura e com uma mala na mão e outra nas costas, fui desembaraçando meu cabelo com os dedos mesmo, para estar no mínimo apresentável aos meus restantes familiares. Peguei um táxi até a minha casa, e quando eu cheguei meu irmão já estava para entrar no carro.
"Ei !" Gritei.
"Ah maninha, que bom que você veio" Ele estava com um sorriso enorme no rosto. Eu corri e fui abraçá-lo, como nunca fiz antes.
"Onde você ta indo?" me apoiei no carro.
" Buscar o pai." E o sorriso dele ainda estava lá, como se fosse extremamente banal sorrir assim.
"Ta. Então... vou ficar aqui e arrumar as coisas" sorri de leve.
"Não precisa, eu já arrumei tudo mas... Acho melhor você ir se arrumar" Dando ênfase no 'você', ele brincou com a minha aparência desajeitada de sempre.
"Hum, engraçadinho" Rimos juntos depois de anos.
"Vou indo, tchau" ele entrou no carro e saiu 'queimando os pneus'. E eu entrei em casa. Acho que eu estava apreciando esse novo clima familiar. O cheiro de casa aconchegante estava no ar e com esse cheiro enchendo meus pulmões, me larguei no sofá com um sorriso convincente no rosto. E essa era minha realidade agora.

sábado, 3 de setembro de 2011

Capítulo 21- Alice


"O que foi dessa vez?'
"Não sabia que você conhecia o Victor" Evitei olhá-lo ao dizer essa frase. Artie riu.
"Nossa, a gente se conhece a uns 8 anos, desde a sexta série. Já faz muito tempo..."
"Faz muito tempo mesmo... Mas ele nunca me falou que te conhecia" Tomei de uma vez a coca que estava no meu copo, evitando engolir seco, literalmente.
"Ele também nunca me falou de você" nos olhamos estranho e consequentemente ficamos muito perto um do outro, fazendo com que toda essa conversa nunca tivesse existido parecendo que eu estava próxima daqueles olhos verdes nítidos e secretos desde o primeiro momento.
"Essa conversa podia ficar para outra hora, né?" ele finalizou mordendo uma parte do lábio inferior e sorrindo. Eu assenti soltando um riso nasal. Nossas mãos se encostaram, e com um sorriso no rosto dos dois, nos beijamos depois de tanto tempo, evitando pensar nos meses em que não nos falamos e como Victor interferiu nisso de uma forma bem individual. E foi surpreendente, como se eu nunca tivesse feito isso antes, dando aquela emoção de primeira vez. Cada vez mais era a certeza que Artie não tinha nada a ver comigo e essa era a melhor parte. A parte em que eu me sentia feliz, mesmo com alguém tão oposto. Eu não entendia o motivo de eu estar indiretamente com Artie, era, no mínimo, curioso.
Ficamos conversando sobre várias coisas (exceto sobre Victor e os meses que ficamos distantes) brincamos de fazer caras e bocas enquanto estávamos debaixo de um cobertor e tudo o que me deixava muito feliz. Ligamos o videogame de Laura e jogamos todos os jogos que ela tinha, até os mais bobos como o de vestir Barbies.
"Essa roupa não combina com essa Barbie loira" Artie disse, trocando um blazer preto por uma micro-blusinha rosa pink. Eu olhei para ele com certa curiosidade, segurando o riso.
"e a micro-blusinha rosa combina?" Ele me encarou como se fosse a coisa mais normal do mundo e eu dei uma trombada nele. Ainda estávamos no sofá laranja de Laura, com o cobertor jogado de qualquer forma sobre nossas pernas e eu me distrai observando-o trocar a roupa das bonecas. Ele tinha um vício de morder o canto da boca enquanto jogava e eu achava isso fofo... era estranho eu achar algo fofo, mas as coisas com Artie eram assim: ele me levava a pensar e agir de formas como eu nunca imaginava nem em meus delirantes sonhos românticos.
Não... Artie superava qualquer expectativa de qualquer romance que eu jamais pudesse imaginar. E ele parecia não se esforçar para isso, era natural, improvisado e eu me pegava adorando não saber o que aconteceria depois. Desde que Artie estivesse comigo no próximo momento, eu estaria feliz. 
"Sua boneca está muito elegante" Ele comentou e eu saí do meu mundo dos sonhos para encontrar seu sorriso e aqueles olhos verdes me encarando. "Ah, eu nem mudei muito a roupa padrão do jogo" Era verdade: eu mal tinha começado a jogar quando me perdi pensando nele. Com alguns movimentos rápidos no controle, minha Barbie passou de executiva a rockstar. "Você é boa em todos os jogos?" Ele perguntou assustado com a rapidez com que eu mexia no controle. "Ah, alguns..." Eu evitei tirar os olhos da tela, mas percebi que Artie tinha deixado o controle no colo e podia sentir seus olhos analisando cada movimento meu. Ele recostou no sofá e estendeu o braço o suficiente para alcançar as pontas do meu cabelo ainda bagunçado. Sem perceber, fui me deixando levar pelo toque de Artie e logo estava recostada nele, o braço dele envolva do meu pescoço ainda brincando com as pontas do meu cabelo. Eu encolhi as pernas para caber no sofá e ajeitei o cobertor para cobrir os dois.
Foi bom curtir a presença dele. E agora eu teria descoberto o motivo de eu estar bem logo de manhã: minha família e meu relacionamento com Artie se reconstruindo. Eu nem podia imaginar como tudo corria bem.

domingo, 21 de agosto de 2011

Capitulo 20- Alice

Eu poderia ter sido a pessoa mais ignorante. Mas eu não podia perder a oportunidade de tornar tudo perfeito. Eu não podia perder a oportunidade de estar cara a cara com Artie e tornar tudo ainda mais perfeito.
Eu estava com uma cara disfarçadamente apaixonada com uma mão na maçaneta da porta, a outra no cabelo bagunçado e uma roupa qualquer, meio maltrapilha pra receber alguém em casa e Artie com roupas típicas de colégio, de suéter azul, mãos no bolso me encarando com os olhos verdes que sempre me prenderam de tal forma, aqueles segundos se tornaram inesquecíveis para mim, até hoje.
Depois do que Artie disse, eu mudei minha expressão de garota nada simpática para um sorrisinho meigo e olhos atentos.
"Me ver?" e o meu sorriso continuou, dando a entender que eu teria gostado da ideia.
"Sim." Artie olhou para os lados e demorou para completar a frase monossilábica. "O dia esta lindo demais pra passar sem você ao meu lado." E o sorriso alinhado que tanto me fazia falta estava surgindo na minha frente e eu cuidei para que eu não perdesse nenhum movimento vindo da parte dele. Eu andei até ele, fechei os olhos, senti o perfume e respiração dele tocando minha orelha e parte da bochecha. E o abracei. Como se nada mais pudesse me tirar essa sensação novamente.
"Obrigado por vir aqui..." Eu disse desabraçando-o. "Vamos entrar" E sorri para ele novamente, trazendo ele para dentro de casa de mãos dadas.
"Oi Artie ! Quanto tempo que eu não te vejo por aqui." Laura disse indo para abraçar ele daquele modo afetivo que ela sempre teve.
"É, eu preciso frequentar mais a sua casa.." Artie percorria os olhos pela casa.
"É verdade ! Ai Alice, vou sair agora com Rose pra fazer umas compras e depois pegar um cineminha." Laura me deu um beijo no rosto e colocou a chave na maçaneta. "Nos vemos depois. Tchau Artie !" Laura fechou a porta, e como ela tinha saído, o silencio se instalou na casa. Por uma fração de segundo, eu decidi impulsivamente, contemplar aquele rosto perfeito, que antes estava numa vaga lembrança, e que agora, estava ali, presente bem na frente dos meus olhos. Era delirante, mas eu me contive e dei apenas um sorriso largo, que pôde por si só, demonstrar os meus sentimentos por Artie, que eu mesma desconhecia.
"Fique à vontade ai" Eu disse tentando quebrar o gelo, mas eu realmente nunca fui boa nisso.
"Mas é claro, Laura já me disse isso nas outras vezes que eu estive aqui" Artie disse e se sentou de modo espaçoso no sofá laranja.
"Ah..." balancei a cabeça com um sorriso torto. "Vou pegar refri pra gente." Voltei com dois copos de coca cola e uns chocolates na mão e me sentei do lado dele.
"O que anda acontecendo com você nesses últimos dias, hein?!" Artie disse com uma expressão preocupada, passando os braços por cima dos meus ombros.
"Aposto que não é nada comparado ao que acontece com você..." Deixei escapar. De propósito, diga-se de passagem.
"Você vai me contar ?" Artie dirigiu a palavra a mim, anulando tudo o que eu tinha dito antes.
"Ai, nada demais. É que eu dediquei esses últimos meses pros livros e alguns tópicos legislativos. Mas e você, o que acontece ?"
"O desequilíbrio emocional, as vezes, mexe bastante comigo." Ele mordeu o lábio inferior.
"Nossa, quem diria, né.." E encostei minha cabeça no ombro dele.
"É, eu comentei sobre essas coisas com Victor e..."
"Quem?" A pergunta retórica seguida da cara surpresa foi necessária.
"Victor, ué.Todos sabem quem ele é." Artie olhou estranho e não entendia meu choque de realidade. Eu reagi surpresa a toda essa situação. Eu estava dividida entre amigos. Mas isso foi até eu abrir a porta de casa e ver Artie, para ter certeza do que eu sentia. Não era banal. Ao menos, não para mim. Querer alguém como eu queria Artie era inconfundível. Eu poderia sentir boas emoções com Victor, mas nada se comparava as batidas do meu coração, pulsando rápida e incontrolavelmente o sangue por todo o meu corpo, como se Artie fosse, literalmente, o próprio sangue que corria em minhas veias, já tão distintas.

sábado, 13 de agosto de 2011

Capitulo 19- Alice

O dia amanheceu lindo e eu não achava isso a meses. Eu pude ver o nascer do sol, e nada me dava uma melhor sensação de bom dia como ver o sol espalhando as nuvens com seus raios, deixando o céu aberto em poucos minutos, e logo ao olhar para o chão ver uma espessa camada de neve. Era raro eu gostar do dia e mais raro ainda acordar de bom humor. A pergunta que não queria calar dentro de mim era: será que tinha algo para acontecer? Eu era pessimista e a resposta mais viável para mim mesma era que o dia estava ótimo porque estava me preparando para uma situação ruim. Voltei para minha cama depois de apreciar o amanhecer com uma emoção jamais sentida, meus pensamentos emendaram-se com meus sonhos, e eu dormi novamente. Quando acordei, minha cabeça estava cheia e comecei a por os pensamentos em ordem. E o que estava martelando era que eu tinha uma família independente dos problemas. Eu não poia e nem queria me acomodar com a situação de estar na casa de Laura. Era meu conforto provisório, mas minha mãe sempre dizia que para avançar, muitas vezes, eu teria que sair da zona de conforto. E foi o que eu fiz. Tomei coragem e liguei para Matthew, meu irmão que andava um pouco mais distante de mim que o normal depois daquele imprevisto em casa.
"Alô? Alice? É você mesmo?" Várias perguntas tomaram conta daquele momento, no mínimo, desconfortável.
"Sim, é a Alice...hum, liguei para saber como você está..." eu não queria, mas estava sem jeito para falar com meu irmão.
"Eu estou bem. Eu tava pra te ligar essa semana, tenho boas notícias do pai." Ele estava com uma voz boa e confiante do outro lado da linha.
"Tem? O que?" Tentei não mostrar interesse demais, mas não obtive sucesso.
"Ah, ele estava numa clínica por todo esse tempo para se recuperar da saúde, dos vícios e..."
"Por que não me disse antes?" Eu disse seca num tom de voz alterado.
"Eu sabia que você precisava de um tempo para ficar bem. Eu te conheço, maninha !" Matthew era um irmão ausente, mas ele sempre soube da melhor hora para tudo. Ele era uma boa pessoa.
"É, eu precisava mesmo." Eu não queria ter admitido isso. "Mas qual é a notícia boa?"
"Ele volta nesse fim de semana." Parece que ele falava sorrindo ao telefone.
"O pai?" Fiquei sem reação.
"É claro ! Bem, eu não sei onde você tá agora, mas você podia ir para casa no domingo n..."
"Parece ótimo, vou estar lá, obrigado por avisar." Cortei meu irmão imediatamente.
"Espere ! Você vai voltar para casa dessa vez?"
"Dessa vez eu volto para ficar, não quero mais fugir dos problemas."
"Vai mesmo ?" A insegurança dele me matava.
"Prometo que sim. É definitivo."
"Obrigado, maninha. Nos vemos domingo. Tchau." Ele estava claramente aliviado.
"Ok, tchau." Eu estava seca com minhas palavras, mas meus reais sentimentos indemonstráveis eram ótimos.
 Toda essa situação era boa, mas me deixava meio perdida comigo mesma. Teria sido essa a boa notícia inesperada?
Meu dia se passava de forma tranquila, como nunca havia passado antes e cada segundo foi aproveitado intensamente.
"Bom dia, amiga !" Disse Laura com seu bom humor inesgotável.
"Bom dia !" Eu disse retornando o sorriso alegre de Laura. "Tenho novidades..."
"HUM... Novidades do quê, hein ?!" Laura, como sempre, desconfiada.
"Do meu pai... Ele estava numa clínica de reabilitação e domingo ele vai voltar para casa." Laura sorriu comovida.
"Ual, quem diria... Fico feliz de verdade, por sua família. Você também está feliz, né?"
"É obvio que sim."
que não parece, quer dizer, nunca parece que você sente algo."
"Eu sei... Mas não é aí onde eu quero chegar." Eu disse desviando o olhar para qualquer coisa que pudesse me distrair.
"E é a onde então ?"
"Eu vou voltar para casa no domingo." eu estava comendo uma torrada com manteiga que tinha acabado de ficar pronta.
"Sério?" Laura ficou tão impressionada que até largou os talheres de forma relaxada na mesa. "Caramba Alice, o que está acontecendo com você hoje?"
"Nada, só acordei de bom humor."
"Ah, você acordando de bom humor é por que ta acontecendo alguma coisa sim !" Laura riu e eu fiz uma cara de reprovação. "Mas eu acho ótima a ideia de você querer voltar, é muito importante."
Eu concordei com Laura e me retirei da mesa, lembrando que seria uma das ultimas vezes na casa dela. Já era de tarde e o sol continuava a meu favor. Foi um dia bom para resolver algumas coisas e pensar em planos. Foi ótimo, por sinal.
"Alice, tem alguém na porta!" Laura gritou da sala, que ficava no andar de baixo.
"Ta, vou ver." Desci, abri a porta e dei de cara com um par de olhos verdes brilhantes, um sorriso torto e o corpo mais aconchegante encostado no batente da porta. Era Artie e sua beleza exuberante.
"é...Oi" Artie disse ainda com o sorriso torto.
"Oi. Você veio ver a Laura?"
"Não exatamente." Ele passou a mão no cabelo, bagunçando seu topete.
"Então, me diga exatamente o que você veio fazer aqui." Eu disse como se fosse extremamente comum ser ignorante com as pessoas.
"Ver você." Ele disse baixo, ficou vermelho mas continuou me encarando.
Eu não sabia o que fazer. Eu não conseguiria dizer um 'não' pra ele. Na verdade, eu não conseguia dizer nada. Fiquei parada ali por segundos intensos, fazendo com que aquele sentimento bobo de borboletas no estomago, coração acelerado, cabeça a mil e mãos suando invadisse meu corpo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitulo 18- Narrador


Até aqui, você acompanhou essa história contada pela própria Alice. Neste capítulo, vou contar para vocês, do ponto de vista comum, o que aconteceu numa conversa de refeitório entre Artie e Victor .
Eles estavam sentados discutindo sobre os estudos, o que para Victor era banal de vista, mas para Artie era complicado pelo fato de ele sempre estar longe, com seus pensamentos em Alice.
"Sabe Artie, as vezes eu acho que eu preciso de a..." E Victor olhou em seu celular que teria acabado de vibrar, perdendo o 'fio da meada'.
"Alice" Artie disse num som inaudível. Ela era tudo o que ele queria, apesar de ser complicado as vezes.
"A...Algo para me concentrar mais...Espera ai, o que você disse?" Victor retomou a conversa depois de ler rapidamente, 'comendo' algumas palavras, a mensagem que ele acabara de receber.
"E-eu disse? Não disse nada não. E até parece que você precisa se concentrar, você é um ótimo aluno, todos sabem disso." Na cabeça de Artie estava ótimo ter dado umas desculpas para disfarçar, mas Victor o conhecia bem, afinal eles se conheciam desde a sexta série. Eles eram melhores amigos e Alice nem desconfiava.
"Oras, deixe de mentiras. Eu te conheço tão bem quanto a sua mãe e o Artie que eu conheço não fica gaguejando, nem gesticulando com as mãos com um olhar perdido." Artie olhou para baixo, refletindo no que Victor acabara de dizer. "Você anda apaixonado por uma dessas meninas que você fica, né ?" Artie não queria responder, mas sabia que ocultar isso de Victor não era a melhor ideia. Ele respirou fundo, olhou fixamente para as laterais da mesa.
"É mesmo, me desculpe. E sim é por uma dessas meninas que eu fico. Na verdade, só a beijei uma vez e parecia ter sido a primeira vez sabe? Ela é diferente de tudo o que eu já vi ou pensei, não sei explicar. Quer dizer, é impossível explica-la. É o que eu sempre desejei." Artie deu um sorriso e soltou um suspiro após toda a confissão.
"Nossa, em 8 anos que nos conhecemos eu nunca te vi assim... Eu que sempre fui o apaixonado" Victor deu um sorriso abafado, se lembrando do passado e de como tudo tinha mudado desde então. "Mas eu sei como é."
"Sabe? Você também ta apaixonado, é?" Artie fez aquelas gracinhas, mas estava desconfiado.
"Não." Victor foi seco. "As vezes eu sinto vontade de ter alguém, mas nada que me afetasse de tal forma, a chegar como você tá, entende ?" Ele coçou a cabeça, dando sinal de que ter apenas desejos de se satisfazer sem algo que o afetasse de tal forma estava virando cada vez mais comum. 
Victor era mesmo o mais apaixonado, mas depois que se mudou para Nova York e entrou para a universidade, seus conceitos mudaram radicalmente. É claro que o jeito carinhoso e legal de ser não mudou. Apenas seus conceitos, por razões aleatórias e desconhecidas.
"As coisas mudam mesmo, hein?!" Artie estava surpreso com essa informação. Ele nunca imaginou que Victor deixaria todos os sentimentos de lado de uma hora para outra.
"Ei, quem é a dona desse seu coração ai ?" Victor disse pensando em como ele não tinha perguntado isso antes.
"Ela cursa direito e, ah... Não acho uma boa dizer agora . Eu confio em você e não quero que passe pela minha cabeça desconfiar de você caso ela descubra algo." Victor foi compreensivo e também ficou indignado. 
"Mas ela não sabe de nada ? Nem desconfia?" Victor estava inconformado, mas nada que alterasse seu tom pausado de falar com as pessoas.
"Não. Quero dizer... hum...Na verdade, ela deve saber. Eu confesso que deixo transparecer e ela também é inteligente né." Artie sorriu largamente logo em seguida, pois pensar em Alice era como entrar em êxtase involuntária e instantaneamente.  
Na mente de Victor passavam dúvidas, desconfiança e mais dúvidas. Ele estava ligando os pontos. Ele não queria a Alice para sempre, mas era banal sentir ciumes dela, afinal, ela se tornara a pessoa mais incrível para Victor desde o primeiro contato verbal.
"Ela é inteligente?" Victor olhava para baixo fazendo uma pergunta retórica, enquanto Artie devorava um lanche da forma mais ética possível. Victor se irritava ao ver que até comendo um lanche ele parecia um príncipe.
"Você ta falando comigo ?" Artie disse de boca cheia, nem ligando para o que Victor acabara de dizer.
"Eu? Não, tava falando comigo mesmo.
Hum. Esse lanche ta muito bom!" Artie tinha um vocabulário ótimo e não usava gírias. 
"Pena que não to com fome, se não..." Victor falou com a mão na barriga, típico de quando queremos dizer que comer tal coisa seria uma ótima ideia. 
Eles continuaram a conversar, mas sobre outras coisas e foram embora. Victor para a casa dele e Artie para a casa de Laura. Ele precisava ver Alice de qualquer jeito.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitulo 17- Alice

"Alice, temos que ir." disse a voz alegre de Laura seguida de alguns risos das piadas que estavam rolando.
"Esperem, vamos tirar uma foto." Victor apareceu prontamente com a câmera fotográfica na mão.
"Mas é claro, nem tem como recusar uma foto pra lembrar desse dia." Laura finalizou a frase me abraçando, fazendo pose pra foto.
"Pode deixar, eu tiro" Eu disse tirando o braço de Laura de cima dos meus ombros, me esforçando para não sair na foto.
"Mas é claro que não. Já até providenciei os tripés." Victor disse como se ele não entendesse que eu não queria sair na foto de jeito nenhum.
"Nossa, como eu pude me esquecer..."  Tentei fingir masa ironia foi uma pouco maior e perceptiva, com uma pitada de sarcasmo.
"Agora venha aqui, mocinha. Não tenta fugir não" Laura disse e deu um risinho abafado, porque ela havia entendido o que eu queria dizer, mas não disse.
"Tabom, vai" resmunguei e me coloquei de pé, com um pouco de cabelo na cara para esconder meu rosto envergonhado.
E foi com risadas, fotos e altos papos com Laura que terminou a minha noite. Na verdade, assim teria só começado. Pois certos sonhos tornaram a noite longa e totalmente estranha. Era estranho sonhar tudo o que eu cheguei a desejar um dia com Victor.
Naquela noite, sonhei que nós riamos muito e andávamos de mãos dadas nas ruas. Pra ser mais precisa, sonhei que éramos um casal absurdamente feliz e que segundos antes de eu acordar, ele dormia me abraçando. Acordei, e foi como se eu sentisse seus braços me entrelaçando de verdade, como aconteceu no sonho. Quando dei por mim, eu estava sorrindo como se fosse real, como se eu tivesse vivido aquilo intensamente.
Dois meses se passaram desde então, teriam provas bimestrais e eu dediquei os dois meses para estudar bem, pois a faculdade de direito era meu sonho se concretizando aos poucos, e eu faria de tudo para ir até o fim. Até mesmo, seria capaz de deixar de sair e de falar com Victor, e deixaria de tentar entender o porque a distancia entre eu e Artie só aumentava novamente. E foi o que eu fiz. E digo que o resultado disso foi bom nas minhas notas e foi ruim em todo o resto. Minha vida social que já era parada, ficou praticamente inexistente. Eu só falava realmente o necessário. Sentia falta de conversar com Victor e ver seu sorriso tão limpo e alinhado tomando quase toda minha visão. Sentia falta de poder rir e falar de tudo com Laura, o que fez tudo ficar mais entendiante. Artie vivia sua vida e eu a minha. As vezes, eu pensava que devia acontecer algumas coisas com ele em relação a mim e ele precisasse de um tempo longe de tudo que o rodeava. Ou pelo menos, longe do que era comum entre nós. Era a segunda vez em 7 meses que eu conhecia Artie, que ficávamos em diferentes plataformas divididas por um abismo. Me dava vontade de me jogar na neblina que me impedia de ver o final, conhecendo aleatoriamente os segredos de Artie em meio a tanto frio. Me dava vontade sempre que isso acontecia. Era esgotante, mas eu me esforçava para não deixar minha opressão pessoal em evidencia e para não me deprimir sem a voz rouca e incomparável dele ao pé do meu ouvido, sem seus braços levemente fortes envolta da minha cintura, me passando a maior onde de calor e a maior vontade de te-lo para sempre e sem seus olhos verdes flamejantes me olhando querendo desvendar o que ocorria em meus pensamentos em determinados momentos juntos. Era o que me completava, mas entrava em devaneio no auge das emoções, que eu deixei substituir o que era único por algo bom. E o 'algo bom' era um sorriso perfeito e uma igualdade oposta de caráter entre eu e Victor. Nesses dois meses sem me comunicar direito, parecia que Victor se realizava em meus sonhos. O que se tornou mutuamente constante, estranho e perturbador. Era bom, mas logo vinha a voz da razão me incomodando, dizendo que estava tudo errado. E realmente devia estar. Não era comum esses sonhos ilusoriamente reais acontecerem da noite pro dia, e o protagonista disso tudo ser o cara que eu considerava meu amigo até então. Tudo estava fora do meu alcance naqueles dias. Artie vivia se fechando pra mim, e Victor mudara suas intenções comigo. Eu estava esperando o pior, e querendo ou não, essa situação de ser amiga de mim mesma e sonhos estranhos, era confortante.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Capitulo 16- Alice

Parecia compulsivo. E era. Eu não entendia e me deixava levar pelas emoções de estar cativa a um sorriso tão banal e tão diferente. Seria, de fato, o Victor ou seria minha vontade de não querer seguir minhas intuições ? Era certou ou era errado?
 Esses pensamentos vinham de encontro a minha mente enquanto ele pegava timidamente a minha mão e acariciava meu dedo indicador com o polegar. Eu continuava igual por fora, sem reagir a seus atos. Por dentro, eu estava a mil, como sempre. Eu odiava ser uma Alice inexpressiva por fora e ser outra Alice por dentro. A Alice legal, divertida mas nem tanto, a Alice de verdade que estava escondida dentro de mim, era a quem Laura conhecia. Laura era uma pessoa no minimo admirável, e eu gosto de ressaltar isso. Mas foi compreensiva demais em querer que eu fosse a 'outra Alice' com Victor e nos deixar sozinhos na sala de estar e ir conversar com os outros convidados.
Eu e Victor eramos tão iguais que eu podia saber o que ele estava pensando em fazer naquele momento tão a sós. Os pensamentos dele eram altos e ele nem precisou falar nada para eu escutá-los em minha mente. "Você é linda" ele disse sussurrando, quebrando o gelo de uma forma excepcional e ao mesmo tempo passando seus dedos em minha nuca, me trazendo lentamente pra perto de si. Estava cada vez mais perto, chegando a menos de  um dedo de distancia de nossas bocas, eu sentia o ar quente que vinha de dentro dele em meu rosto e minha mão esquerda se encontrava em seus cabelos loiros perfeitamente bagunçados (devido    aos meus movimentos espalhafatosos) e eu fechei os olhos. Parecia o certo, mas algo me dizia que estava errado. E essa voz era a mais alta.
Fechei os olhos, respirei fundo a ponto de nossos pulmões se encostarem e minha respiração atingir seu rosto.
"Não..não é certo." Eu disse apagando a lareira que existia entre nós com uma avalanche de gelo. Acompanhada, logo em seguida, de frustração e a conformação de eu sempre tornar o que devia ser bom em pensamentos negativos, e conseguir isso apenas com palavras. E isso era cada vez mais normal.
"Ainda bem que existe a razão, não é mesmo?" E lá ia o Victor quebrando o gelo mais uma vez com seu humor. Não foi nada sarcástico, e isso era algo muito oposto entre eu e ele. Eu abri os olhos sem entender muito bem o que estava acontecendo.
"Por que?" eu não queria ter perguntando isso.
"Porque senão o lado coração iria continuar não fazendo o certo. Desculpa pelo meu coração sem prudencias." Eu simplesmente deixei de toca-lo e sentei virada para frente da sala, como uma flor murcha, olhei para baixo.
"Não peça desculpas. Eu não vou te desculpar pelos seus sentimentos, afinal, eles nem sempre tem razão." eu disse num volume baixo, num tom colérico.
"Tudo bem." seu jeito compreensivo era irritante e descomunal. Victor levantou num pulo "Quer refrigerante?"
"Sim, mas pode deixar que eu pego" E nos juntamos a galera que estava comendo fast food na cozinha.
Não sei ao certo, mas algo estava mudando em mim. Pra ser mais exata, a forma de ver Victor. Toda essa intensidade me indagava e me aproximava mais do que eu realmente era.

sábado, 23 de julho de 2011

Capitulo 15- Alice

As poucas palavras saíram com suavidade da minha boca, mas eram só respostas do que Artie dizia. Ele até fez comentários sobre o clima e eu só pude dizer "Realmente o dia pode ser bonito mesmo nublado e frio". Várias trocas de olhares e sorrisos espontâneos tomaram conta daquele momento único. Era incrível como cada  sorriso me levava a um patamar maior de emoção.
"Você parece ser mais incrível a cada dia" e fez aquela expressão de 'olhar lindo mais sorriso delirante'. Sempre foi a expressão perfeita.
"Ah...Valeu!" sorri, sem graça.
"Posso tirar uma duvida ?" ele disse sério, quase cuspindo as palavras em mim.
"Pode sim" olhei para grama em que eu estava sentada, tive receio do que podia sair daqueles perfeitos lábios.
"O que tá rolando, é... entre a gente...é sério ?" ele demorou para dizer. Quase não acreditei que ele conseguiu falar quando terminou a frase. Levantei a cabeça, agora, olhando para o horizonte, mas nunca para ele.
"Não sei, eu..." e na hora aquele toque de celular alto e irritante surgiu. Era meu celular. Eu só pensei em desliga-lo mas acabei cedendo e apenas cancelei a chamada. Tentei voltar na conversa e dessa vez era uma mensagem.
"Me liga, por favor. Preciso falar com você. Victor"
Fiquei atordoada mentalmente, nada que afetasse meus movimentos, o que tornava toda aquela confusão só minha, uma confusão particular. Meus pensamentos se atropelavam em minha mente.
"Olha, desculpa, preciso ir. Depois nós conversamos." Foi a pior coisa que eu já fiz. Na verdade, foi a pior coisa que aconteceu para acabar com aquele momento 'conto de fadas'. Olhei nos olhos dele, e era de se esperar aquele frustrante olhar de pergunta sem uma resposta. Artie assentiu com a cabeça, eu dei um beijo em seu rosto perfeitamente branco e fui dando passos largos até chegar em algum lugar e ligar para o Victor e ser a pessoa mais seca do mundo, alias, era o momento perfeito.
"O que você quer, hein ?" Acho que Victor teria se acostumado com meu jeito de ser sutilmente fria as vezes.
"Dizer que estou cancelando o churrasco. Mas você podia vir aqui mesmo assim. Eu chamei alguns amigos. Seria legal estar com você no primeiro dia de neve. O que acha?" Ele disse bem pausadamente. Quase um texto ensaiado e lido na hora. E era impressionante como ele conseguia quebrar o gelo.
"Acho legal e vou sim" Ele sabia o quanto eu amava neve e o quanto eu amava estar reunida com a galera. "Tenho que desligar. Tchau." E desliguei sem esperar resposta alguma dele.
O dia estava nublado e a temperatura costumava cair de noite, fazendo aquela perfeita neblina cinza  iluminada pela Lua dando uma vista ampla para a neve que estava no chão e ao redor de tudo o que minha vista alcançava. Estava bem do jeito que eu gostava, era nostálgico e um tanto divertido caminhar pelas ruas no inverno, principalmente na companhia de Laura.
Victor nos atendeu quando chegamos e me deu um abraço que me fazia fechar os olhos e sorrir.
A noite estava sendo divertida. Pelo menos o bastante para esquecer de Artie e para de me perguntar o porque que ele não estava lá. Eu tinha jogado muito vídeo game e conversado muito, por incrível que pareça. Principalmente conversado com Victor, que me surpreendia com sua beleza e inteligencia. Era ridículo e egoísta esquecer de tudo ao ver um sorriso branco e encantador de Victor. Parecia que eu me tornava emocionalmente  transparente perto dele, porque não era possível alguém saber tanto de mim como ele sabia. Era difícil de admitir, mas ele teria se tornado o centro para mim naquela noite. Meus olhos percorriam todos os seus traços sem perder nenhum detalhe. E era frustrante a intensidade com que isso só aumentava.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Artie Lewis

Ela parecia ter interesse em mim. Era evidente que ela tinha medo, não das consequências, mas dos seus próprios sentimentos. Eu sei que eu ficava com várias outras garotas. Mas eu tinha um motivo que ela não sabia. Alias, ninguém sabia, e talvez ela seria a primeira. Eu a amava de verdade, a ponto de contar pra ela.
Sabe, ela me encantou desde a primeira vez, naquela sorveteria. Ela me encantou só de ter aquela presença incomparável, com aqueles cabelos bagunçados e com roupas simples que caiam tão bem naquele corpo magro e definido. Ela chamou minha atenção de uma forma indescritível. Era linda aos meus olhos, ela era diferente de todas e de qualquer coisa que eu já pude conhecer, até hoje. Ela não fazia o tipo padrão das garotas de Nova York. Era uma raridade que estava se aproximando de mim e eu não ia deixar passar um centímetro sem ao menos conhece-la. Na verdade, eu perdi muito tempo deixando tudo se passar. Eu já pude ver no rosto dela que as coisas não estavam fáceis, nem para mim estavam. Eu só não queria ser o desfeixo dessa solidão. Eu só queria que tudo ficasse bem com ela, e para isso eu precisei me afastar, eu precisei colocar meus pensamentos em ordem.
Eu também tinha medo. Medo de tudo que eu pudesse sentir, ser ferido e jogado fora, como se fosse algo momentâneo da minha vida. Era algo tão bom que eu iria fazer de tudo pra dar certo, eu iria até o fim para ser dono de cada batimento cardíaco e de cada suspiro dela. Nosso beijo foi tão natural. Nada foi forçado ou dramático. Apenas aconteceu por conta da atração de nossos corpos. Não foi por interesse algum além de mostrar meu amor, que estava sempre crescendo. Talvez, no começo, foi mesmo por uma atração. Uma atração por nada. Como se eu estivesse sendo atraido por vagalumes: brilhantes, simples e chamativos. Só sei que agora eu me impressionava a cada hora passada ao seu lado, ou até mesmo contemplando seu rosto de longe. Era bom de qualquer forma. Mas o amor estava me cegando porque eu não podia pensar que eu a machucaria com meus atos inconsequentes, num futuro próximo. O amor me cegava a ponto de acreditar que ela jamais poderia me fazer mal com seus atos conscientes. Alice era diferente, mas não era idiota e eu devia saber disso.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Capitulo 14- Alice

Dos poucos- dois- amigos que eu tinha, Laura era a que eu mais me encontrava, apesar de nós sermos totalmente diferentes. Claro que Victor já tinha se tornado um considerável amigo, mas Laura era diferente.Confesso que fiquei um pouco envergonhada com o beijo de Artie. Foi uma experiencia perfeita, com certeza. Mas minhas reações eram inesperadas. Eu reagia no impulso, e meu impulso era: olhar para o chão, falar num tom abafado, não olhar nos olhos e mudar o assunto do qual me deixa sem graça e me faz viajar pensando em tudo o que eu poderia fazer se tal coisa acontecesse. Eu tinha contado para Laura o que houve, mas sem detalhes porque detalhes nunca foram uma boa opção para mim, definitivamente, eu não era boa com as palavras. Sempre tinha um bloqueio entre a organização de meus pensamentos e minha boca, as palavras saiam atordoadas.Talvez seja por isso que eu só digo o necessário. E Laura sempre me deixava sem graça com seus comentários, mas fez eu me sentir bem e quis me converncer de que Artie era o 'homem da minha vida'. Eu sei que era exagero, mas eu só conseguia o ver dessa forma. Laura também dissera que eu devia tomar cuidado, porque não era qualquer olhar que poderia substituir o dele. Mas para minha foi uma idiotice momentânea, porque para mim era obvio que nada poderia substitui-lo. Mas eu devia acreditar. Eu só queria pensar em ter aquele beijo que me deixava acelerada, feliz e cada vez mais sonhadora novamente. Eu conseguia ser, de fato, feliz com a presença de Artie, conseguia esquecer todos os meus problemas e de quão perseguidor era meu passado. Artie tinha dominado minha mente de uma forma constante e irrevogável. Era quase indescritivel.
No dia seguinte nós nos vimos, eu passei por ele, mas não aconteceu nada além de troca de olhares e sorrisos disfarçados. Eu odiei ter que me conter, quando o que eu mais queria era sentir seus braços fortes entrelaçando meu corpo, como se eu fosse dele. O resto do meu dia foi com Laura, mas ela estava quieta por algum motivo que ainda não teria digerido, e mantido em segredo. Então foi como se eu estivesse sozinha. Depois ela me chamou para sair, talvez para contar o que estava acontecendo, mas eu preferi como de costume, sentar naquela praça. Dessa vez, para relembrar do que era bom, para sentir boas emoções novamente.
Fiquei lá por bastante tempo imaginando minha vida e ouvindo músicas tipo John Mayer. Eu fiquei lá, observando o dia nublado e fazendo varias analogias. Eu estava profunda como o oceano, e resolvi escrever, depois de tanto tempo. Eu tinha medo de escrever novamente, não pelas palavras que seriam escritas mas, sim, por medo de perdê-los novamente, como quem perde sem saber o por que, a essência do perdão.
Me virei para pegar meu caderno (eu finalmente tomei coragem), mas parecia que ele tinha se escondido em meio às suas próprias folhas e à escuridão do forro interno da mochila, pois demorei para o achar.
"Até que enfim te achei!" eu pensei alto.
"Nossa, eu que o diga, te procurei por toda parte, achei você tinha ido embora." uma voz veio por tras de mim, era uma voz conhecida, aquela voz que ficou na minha mente por um tempo estava bem nos meus ouvidos. Eu olhei para o lado, e la estava ele. 
"Você ja devia saber que eu venho aqui quase todos os dias." eu disse por impulso.
"Posso começar a vir aqui com você, se você quiser, claro" eu olhei em seus olhos e eles sorriam.
"Seria uma boa ideia?" eu disse ironicamente.
"Acho que tudo seria uma boa ideia para mim, se eu estiver ao seu lado" e sentou do meu lado e passou seus braços por cima de mim, me abraçando.
Eu só consegui sorrir, e tentar não ficar vermelha, mas não consegui dizer nada. Fiquei ali aconchegada em seu peito, sentindo o cheiro doce de seu perfume masculino importado. Era tudo o que eu mais queria. Na verdade, era só o que eu queria.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Capitulo 13- Alice


Ele tinha o carro do ano: um Aston Martin Vantage prata. O pai dele pagava a faculdade para ele e ele dava festas onde cabiam a galera de todos os cursos de pós-graduação. Ele era perfeito. Tinha os olhos castanho claros e era loiro. Com um sorriso encantador ele era perfeito, mas não era para ser meu.
Ele começou a me dar atenção. Ele sabia do que eu gostava e sempre vinha com novidades minhas, que eu sequer lembrava. Ele até me convenceu que ir no tal churrasco seria uma boa ideia para me distrair dos problemas. Eu cedi minha presença mesmo sabendo que talvez eu poderia me arrepender disso.
"Ah Alice, vai ser legal, você vai ver!" eu abaixei a cabeça meio indecisa e ele me deu um beijo na testa. E eu sorri por dentro.
"Espero que sim." e pensei como Victor era legal, ele me confortava mas continuei com a cabeça baixa, sem dizer mais nada. Quando eu dei por mim, eu estava sozinha. O Victor tinha desaparecido dali. Talvez alguém teria chamado ele, mas eu não ouvi.
Eu estava naquela praça novamente. Na praça que eu comecei a chamar de "Praça do Café". Eu estava sozinha, e novamente com meu celular, exatamente no mesmo lugar onde eu perdi os rascunhos manchados de café dos meus sonhos, que o Victor nunca comentou. Me senti sendo abraçada por alguém que estava atrás de mim. Eu o olhei, e ele estava discretamente chorando, como se estivesse faltando algo pra ele.
"Me desculpa" ele disse tentando conter as suas próprias lágrimas.
"Pelo o que mesmo?" e lá tinha ido a chance de eu dizer apenas um 'sim', e acabei sendo seca até com os meus sentimentos.
"Eu me afastei de você !" e enxugou as olheiras que estavam molhadas naquela hora, com seu moletom vermelho da GAP.
"Eu sei, e por que as desculpas por isso ? Eu afastei as pessoas muito mais do que o normal ultimamente e..." não consegui terminar a frase, pois fiquei me culpando por pensamento por ser tão imbecil.
"E.. E foi nessas de afastar as pessoas que eu estou envolvido no seu abraço agora, que eu estou apaixonado por você e cada movimento seu..." e ele continuou falando coisas que eu acredito que foram lindas, mas eu não ouvi, porque meu pensamento repetia a mil por hora que ele estava envolvido no meu abraço e que estava apaixonado por mim. Eu olhei para os seus olhos e abri um sorriso. Os meus pensamentos estavam a mil, mas as palavras travaram na hora que eu fui falar, e só consegui dizer:
"Obrigado por me arrancar um sorriso, Artie. Sincero desta vez." Meus olhos se iluminaram como o sol, e brilharam como a lua, e meus lábios sorriam desejando Artie, o meu príncipe encantado dos sonhos que estava aos poucos, se tornando real.
Meu desejo foi atendido quase imediatamente. Ele me olhou e foi chegando cada vez mais perto de mim. Até que nossos lábios se encontraram e eu me deixei levar pela emoção sentindo seu rosto molhado de lágrimas junto ao meu. Eu estava sentindo o gosto de seu beijo pela primeira vez. E, finalmente, tinha gosto daquilo que eu tanto sonhei. Gosto de sentimentos guardados e lembranças novas, um quadro resgatado, cheio de memórias.
Ficamos ali por alguns segundos, ou minutos. O bastante para o momento ser intenso e para eu ficar fora de mim, para me tornar outra pessoa. Acabei usando aquele disfarce de olhar no relógio de pulso e dizer que eu estava atrasada, para evitar me perder muito mais naquele mar verde e cristalino de seus olhos. Ele aceitou, sem hesitar, dizendo apenas um 'tchau' e continuou ali sentado me vendo partir.

domingo, 12 de junho de 2011

Capitulo 12- Alice

Nessa solidão eu encontrei, quer dizer, resgatei Artie lá do fundo, novamente. Comecei a lembrar de como aquele olhar cheio de palavras e sentimentos múltiplos e indecifráveis e aquele sorriso delirante me faziam esquecer de tudo. Eu ficava de cabeça fria e coração quente, eu ficava sempre ao contrario do que eu era. Me tornava uma outra pessoa, de fato.
Laura continuou o resto da semana com licença medica, não que fosse algo preocupante.
Na sexta-feira, estava eu, de tarde, sentada no banco da praça da faculdade, no dia mais pensativo que eu já pude ter até hoje, tomando Starbucks e escrevendo numas folhas aleatórias apoiando num caderno, com meu cachecol colorido e Aquele all star, sozinha. Não era nada surpreendente eu estar sozinha. Mas pensativa e de cachecol colorido ? Tinha algo acontecendo comigo.
Coloquei os fones de ouvido do meu Samsung. Eu tinha um iPod, mas eu preferia as musicas do meu celular. Eu estava perdendo tempo lá, mas eu queria sair um pouco da rotina. Na verdade, não mudaria nada eu estar sentada numa praça. Ou pelo menos, eu achava que não mudaria nada.
Continuei sentada lá até o fim da ultima aula, ao som inspirador de "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith, quando surge o menino mais atraente aos meus e aos olhos de varias outras solteiras de até cinco anos mais velhas, me entregando um convite, sem ao menos dizer uma palavra. Eu olhei o convite no mesmo silêncio.
"Churrasco numa casa de praia ?" eu disse com aquela desconfiança. É. Aquela.
"Sim, estamos chamando um pessoal para ir. Vai ser numa das casas do meu pai. Mas as outras informações estão aí." ele disse se convencendo que eu realmente iria. Ele disse com aquela voz tão linda, que eu fiquei olhando fascinada. A voz de Artie, consequentemente, virou uma vaga lembrança, virou um sonho. Um sonho noturno. Pois sonhar acordada com Artie era quase impossível depois de só o ver de longe. O destino não cruzava nossos caminhos, haviam meses. Haviam meses que o meu príncipe encantado dos sonhos estava vivendo sua vida. E eu, sobrevivendo.
"Espera aí! Você entregou para a pessoa errada" eu estava convicta.
"Eu tenho certeza que não. Alice Kirtke, não é ?" e depois pensei como ele sabia que EU era a Alice Kirtke.
"Sim. Mas..." e fui logo cortada.
"Ah! Já ia me esquecendo. Entregue o de sua amiga, Laura Zimmer, por favor ?" e abriu o sorriso iluminado, que eu não via há tempos, que eu sentia saudades. Eu sentia saudades de suspirar apenas por alguém, ou melhor, por Artie abrir a boca e mostrar aqueles dentes totalmente alinhados, brancos e perfeitos, com aquele sorriso que pode iluminar o mundo. Ou melhor, o meu mundo.
"Cla-claro, sem problemas." Gaguejei, dei um sorriso quase forçado e fiz aquela cara de como isso era óbvio. "Mas, porque estão ME convidando ?" e apontei para mim mesmo fazendo uma cara de interrogação.
"Estamos convidando a todos os que cursam Direito e Jornalismo. Mas mesmo se fosse mais particular, você iria mesmo assim. Afinal, você é super comentada num dos melhores grupos de estudo do Jornalismo." e continuou com aquele sorriso lá, como quem quer algo.
"Grupos de estudos ? Hã ? De quem ?" me tornei eufórica "Digo, quem é daquele grupo?" e voltei instantaneamente ao normal. Algo meio bipolar.
"Ah, estão a Rose, Marco, Artie, Ash..." eu o interrompi. E disfarcei olhando no meu simples relógio de pulso, que ficava no meu pulso esquerdo.
"Nossa, o A..A.. Olha, preciso ir, obrigado pelo convite" A palavra Artie simplesmente se trancou às minhas cordas vocais, com correntes e cadeados. Saí como uma desesperada, fechando meu caderno e derrubando um pouco de café, esquecendo totalmente as folhas que eu escrevia no chão.
Fiquei atordoada. No caminho, fui me acalmando, e fui andando mesmo até lá, pensando em como Artie Lewis podia sair falando de mim da maneira que ele achasse que deveria. Ele podia, no mínimo vir se desculpar por isso. Eu não ia me importar de dizer um 'sim''.
Cheguei em casa e arrumei minhas coisas. Percebi que estava faltando algo...algo importantissimo. Eram minhas histórias, baseada em fatos reais. Fatos tão reais, que qualquer um que lesse podia saber de tudo o que se passava na minha vida e na minha mente. Situações que eu desejava passar com Artie, o meu principe encantado dos sonhos, também estavam lá. Eram esboços dos meus pensamentos. Eu só tinha descoberto que escrever era uma ótima forma de externar meus sentimentos, de escrever minha vida, as vezes, de forma diferente, como eu gostaria que ela fosse. E eu tinha deixado os esboços e sonhos de uma vida surreal, mas válida, nas mãos do tentador Victor.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Capitulo 11- Alice

Naquela noite eu dormi. Apenas dormi. Sem sonhar e, pelo visto, nem ousei a mexer um músculo do meu magro corpo. Eu dormi pensando que talvez todos os meus sonhos noturnos, aqueles fatos que ficam no nosso subconsciente e viram psicologicamente um sonho quando apenas fechamos os olhos e continuamos com nossa respiração ofegante (às vezes, eu sonhava tão alto que eu podia rir ou falar tão alto, que todos ouviam) virariam pesadelos, aqueles medos que ficam empoeirados dentro de nós e que ao fechar os olhos, sua respiração quase não sai e seu coração bate tão rápido que cansa, que as vezes, até suamos, porque na verdade, os medos se tornam realidade na nossa mente oculta, os medos tomam vida vida bem atrás de nossas pálpebras, o medo é assim: quando menos se espera, ele esta lá, vivo na sua mente. E tudo isso aconteceria comigo, ao pôr da lua.
Fiquei uma semana inteira sem ir na faculdade, sem sair desnecessariamente da casa de Laura. Aquela semana foi pensante, um tanto reflexiva sobre o conceito chamado família. Uma coisa que eu já andei perdendo há dois anos atrás, quando o amor daquela casa foi levado para longe do mundo natural, para longe de todos, sem mais, nem menos. Se eu não dançasse ballet, se eu não corresse atrás do meu sonho, eu teria uma mãe, eu teria o amor e o equilíbrio de casa, eu teria uma família. Eu abriria mão de um sonho, para ter minha mãe, para ter uma família construída e unida. Se eu soubesse que o acidente iria acontecer com mamãe, eu teria faltado no festival. Mas a vida não avisa quando trás novidade, seja ela boa ou ruim. E com isso, todos nós estamos lidando, desde a hora em que somos chamados de puros, de prontos para nascer. Mas nunca fomos prontos. Nenhum ser vivente dessa Terra nasce pronto para sempre receber surpresas boas ou ruins, para acordar um dia e mesmo com as coisas planejadas, sempre ter algo surpreendente.
Minha caverna interior estava confortável, estava quente e apesar do calor, eu gostava disso. E mesmo estando escuro, eu podia ver algumas estrelas. Poucas. Mas eram o suficiente para eu chamar de "pontos de esperança".
Tive que sair do meu conforto na  casa de Laura e voltar aos estudos na semana seguinte. Quando voltei estavam todos já sabendo fazendo comentários aleatórios. Nunca direcionado para mim, ficaram somente nas indiretas. Estava desconfortável, nunca poderia acreditar que eu seria alvo de fofocas. E não vou culpar Laura, porque ela era a única que sabia e com certeza contou a alguém que tinha aquele senso de curiosidade e disse dos meus problemas para todos. Acredito que foi por falta do que fazer. Mas, se não for, prefiro acreditar que foi realmente por falta do que fazer. Por mais que eu ache estranho esse lance de ser humano, não gosto de pensar que esta sempre nítido o lado ruim das pessoas.
Prefiro ficar sozinha nos intervalos. Só ficava junto com alguém quando eu ia embora. E esse alguém era Laura, para variar.
O tempo não estava nada quente em nenhum período de Março. Estava tudo tão frio, congelante e congestionante que eu já podia sentir o cheiro da neve. Eu gostava mais do frio. Tinha tudo a ver com meu estado emocional: congelando.
Eu passei o dia seguinte sem ninguém, isso inclui Laura. Ela ficou doente por causa do ar gelado e seco que vinha de encontro a nossos rostos. Então, fique sozinha, me afastei de todos. Mas não faria tanta diferença assim. Nada mudaria, nada importava. Afinal, nada importa quando você precisa estar sozinha, mesmo sabendo que precisa de ajuda. Eu escolhi isso. A solidão teria se tornado minha melhor amiga, havia um bom tempo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Capitulo 10- Alice

Eu me sentia a vontade com Laura, eu podia ser eu mesma com todos os defeitos e as poucas qualidades e ela me ouviria e me compreenderia mesmo assim. E eu gosto de  ressaltar que ela era uma pessoa fantastica. Ela me entendeia apenas pelo olhar. E me passava uma confiança inexplicavel. Por ter essa confiança nela, eu falei de tudo com ela, nós conversamos bastante, mesmo eu sendo a ouvinte na maiori das vezes.
 Depois de horas de papo jogado fora, eu fui para casa, a pé mesmo com meu all star velho e pensamentos recentes. Jurava que naquela noite, durante a caminhada até em casa, eu podia tirar meus pés do chão de tao alto que eu sonhava. Pode parecer estranho eu dizer ser o que eu sou enquanto vou longe de tanto sonhar. Mas é que com o Artie eu me sentia bem. Eu me sentia confortada, mas não exclusiva. É verdade que eu não estava com ele, mas é como se eu estivesse de alguma forma. Insana. Patética. Se bem que ja seria um bom começo, pois as pessoas são assim: insanas e pateticas. Um tanto estranhas, digo.
 Sinceramente, eu não queria estar em casa naquela noite. Naquela noite em que o alcool entrou em minha casa e destruiu o pouco que sobrava, do que eu chamava de lar, de familia e o pouco que eu tinha de conforto e, digamos, sentimento. Sabe o que é ter um pai que, por conta de uma perda, se alcoliza para tentar superar isso ? Sabe o quão dificil é perder uma mãe da noite pro dia, sem mais nem menos ? Sabe o que é ter um irmão ausente, que mesmo voce precisando ele nao vai poder estar com voce ? Sim, são coisas horriveis, coisas que eu passei. Coisas que ainda não desgrudaram do meu presente, e nem do meu futuro. E agora, sabe o que é estar a menos de um passo do que dizem ser uma pessoa fria ?
Eu só pude chorar e gritar. Chorar mais do que meus olhos poderiam suportar. Gritar mais do que minhas cordas vocais poderiam aguentar.
Lembro de me ver sentada no chão, ouvindo a voz do meu irmão (que estava lá, por incrivel que pareça) tentando socorrer aquele humano que eu podia chamar de pai, que por sinal, estava aos gemidos, gemidos que eu desejei até hoje, nunca ter escutado.
 Nem Artie, seus olhos e toda a sua sinceridade poderiam me tirar dessa caverna interior, desse buraco que eu mesma cavei, para me esconder da vergonha e do medo. Não tinha como nao ter mais receio das pessoas depois disso, nao tinha como confiar em alguem de certo modo. Talvez, isso me deixaria melhor, mais forte. Mas essa era a parte boa, a parte inexistente na minha vida.
"Ei, aonde você vai?" a unica reação do meu irmão ao me ver saindo com umas duas malas de casa.
"Para longe daqui." como se fosse óbvio dizer isso.
"Você vai ficar bem não vai?" ele disse preocupado.
"Prometo. Mandarei noticias" Foi tão involuntario dizer isso. Foi como se eu acabasse de vomitar palavras em cima do meu irmão.
Bati a porta com a vontade de que ela não abrisse mais para ninguém. Na hora, só consegui pensar em ver Laura então fui até a casa dela, e ela deixou eu ficar lá pelo tempo que eu precisasse. Nós conversamos pouco sobre o que tinha acontecido. Não queria falar disso tudo, ainda era como um baque pra mim , ainda machucava.
"Quer conversar?" Laura disse toda seria. E foi a unica vez na vida que eu a vi assim: toda séria.
"Não. Não agora." eu ja disse esticando os lençóis.
"Tudo bem, eu vou estar aqui se quiser conversar, ta?"
"Sim, obrigado. Por tudo." e peguei na mão dela com a menor condição de agradecer. E fomos para a cama dormir.
É a vida que muitas vezes acaba com nossas expectativas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Capitulo 9- Alice

"como não ? Duvido que tenham sido apenas boatos." disse eu com toda a certeza do mundo.
"Boatos ? Do que voce esta falando?" ele disse
"Ah tinha um pessoal falando que voce.... Afinal, porque eu estou falando disso? com voce ainda !" eu disse indignada.
"Não sei. Mas qual o problema ?"
"É.. Cansei disso, de ficar fazendo perguntas e voce me responder com perguntas." eu disse toda enrolada e quase gaguejando. Sintomas básicos de quando eu fico nervosa. Acabei, no impulso, me levantando para sair. Quando ele segura minha mão e me olhava muito. Muito mesmo. Isso certamente me fascinava e me incomodava.
"O que esta olhando?" eu disse com um sorriso. É. Aquele sorriso de pessoa boba e que voce só percebe meia hora depois que voce esta com ele estampado na cara.
"Você." e ele devolveu o meu sorriso com um sorriso, mas aquele sorriso unico e iluminado que eu não vou encontrar em mais nenhum lugar e em nenhuma pessoa a não ser ele.
E nós ficamos uns 5 segundos eternos sorrindo um para o outro quando eu simplismente me toquei que estava parecendo uma bobinha e meu rosto ficou serio e disse que eu precisava ir embora, ele balançou a cabeça confirmando e disse ainda com aquele sorriso
"Voce esta linda hoje!" e soltou minha mão e ficou ali sentado me observando ir embora.
Eu acredito que fiz a pior cara de impressionada possivel. Enfim, eu fiz ssa cara e já sai andand a procura de Laura, torcendo para que ela aparecesse como num passe de magica na minha frente naquele instante. No fim eu fiquei uns 30 minutos procurando ela e quando a achei ela nãob estava nem um pouco feliz.
"O que voce tem, Laura?" eu disse preocupada.
"Lembra do Joseph?" ela disse quase chorando.
"Sim, voce ja me falou dele."
"entao, ele que esta namorando!" ela disse ainda com os olhos brilhantes de lagrimas. E eu fiquei confusa. Talvez eu fiz confusão desde o começo quando eu achei que Artie era quem estava namorando.
"Ele? Como assim 'ele'? Voce tem certeza ? Com quem ? Não acredito !" eu disse eufórica. Eufórica até demais para mim, eu até parecia uma sanguinea por inteiro. E fazer milhares de perguntas uma atras da outras também sao sintomas do meu nervosismo.
"Sim, o próprio Joseph! Eu acabei de ver ele com a  Victoria, a famosa Vick " Laura disse indignada "E se voce nao acredita imagine eu !"
"Fique calma" estendi a mão e peguei um copo com coca-cola para Laura " Sabe, é só questão de tempo e...Ah eu não acredito que voce vai chorar ! Não faz isso, não deve valer a pena !" eu tentando consolá-la.
"Eu não vou chorar ! Até parece" ela disse numa ganancia de poder.
"É que seus olhos estão brilhantes ai eu achei que voce ia..."
"Ai Alice, pare de reparar um pouco nos olhos das pessoas !" Meu pensamento de que ninguem percebia foi destruido pela bomba que Laura acabara de jogar.
"Desculpe! Mas já que aqui ta o maior climão, vamos embora?" eu estava certamente me aproveitando da situação.
"Mas já ? O que aconteceu? Alguem disse que voce estava linda, não é?" e Laura até abriu um sorriso desconfiando do que eu disse.
"Não...Nada...É que...Ah vamos logo ou não?" disse eu desviando o olhar.
"Sabia !" e deu um tapinha na minhas costas, gesticulando como se ela realmente soubesse.
"Vamos pro Mc Donalds, que tal ?" eu disse com uma vontade inexplicavel de ir embora, e para isso arrumaria todos os argumentos possiveis.
"Ótima ideia, amiga!" e pegou na minha mão me levando até a porta de entrada sem dizer 'tchau' a ninguem e encarando Joseph com a tal ganancia de poder, que pairava sobre ela nos momentos de raiva. Mas, como de fato, nada é perfeito, quando eu estava passando pelos corredores da casa de Rose, vi Artie de relance. E ele também me olhava, Me olhava como se algo o prendesse a mim. Não sei explicar. Ninguém disse alguma palavra, se quer. E caminhando, ainda até a porta, fiquei imaginando o que seria que ele tinha visto em mim. Uma nerd, anti-social que morria de vergonha dele e era nitidamente fascinada por olhares sinceros, assim como o dele.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Capitulo 8- Alice

Eu era uma pessoa melhor com certeza. Ela me tornava melhor; eu só queria ela aqui pra me ajudar em relação a Artie, aos estudos. Eu só queria ela aqui. Não conseguia suportar a dor de ela... de ela estar morta agora.
Chorei muito naquela noite lembrando dela. Os acontecimentos estavam muito claros na minha cabeça, ainda tudo ocorria como se fosse ontem. Eu ainda lembro do papai chorando pelos cantos sem saber o que fazer. Fiquei por algumas horas pensando em como minha vida seria melhor se eu tivesse uma mãe, se eu tivesse a minha mãe. E então recebi uma mensagem no celular dizendo " Oi Alice, gostaria muito que você viesse na minha festa de 18 anos no sabado. Eu sei que voce não curte muito, mas é que eu queria mesmo que voce venha, vai ser legal, eu prometo. Te espero lá OK ? beijo, Rose. "
Não sei como mas achei uma boa idéia, eu tinha cansado dessa vida pacata, eu devia me distrair um pouco. Tá certo que ia ser uma aglomeração de pessoas, apesar da casa dela ser grande.
 No outro dia foi muito comentado sobre o aniversario de Rose na faculdade. Foi comentado também sobre um suposto namoro de Artie, o que me deixou confusa, e mais calada. Pensei nele de novo, mas como um idiota., e agora como um idiota sem-noção. Mas não iria deixar de ir por consideração a Rose e a mim mesma; não podia deixar um sentimento tão patético acabar com meus dias.
Para ir a festa escolhi um vestido preto, que tinha uns dez palmos acima do joelho de comprimenrto e um salto pra ir, mesmo não sabendo andar de salto. Me senti esquisita no vestido, assim como eu me sinto em todos os outros vestidos, mas como era uma ocasião diferenciada, abri uma excessão.
No dia da  festa, Laura foi me buscar para irmos juntas.
"Nunca vi você tão linda amiga !" disse Laura.
"Obrigado" disse com a maior vergonha, e jurei para mim mesma que se alguem dissesse isso para mim eu iria embora.
"Tenho certeza que irá chamar atenção de varias pessoas, principalmente de..." ela gaguejou. " de alguem em especial." e fez uma cara de quem disse algo que nao era para ser dito.
"O que quer dizer com isso ?" fitei Laura com a face mais séria que ja pudera ter feito. Mas fiz isso só para arrancar algo dela. Tentei olhar em seus olhos, mas foi dificil olhar por muito tempo, assim como os olhos de Artie, os olhos de Laura sempre queriam dizer muita coisa. Tanta coisa que era dificil decifrar, era delirante.
"Nada não, foi só um comentario aleatório. Queria dizer que, vai que voce encontre alguem especial, entendeu?" Pude ver o alivio em seu rosto, mas eu sabia que tinha algo implicito. Eu sabia que ela estava mentindo, eu sempre sei quando alguém mente.
"Ah ta !" eu disse e depois de um tempo o carro parou. Olhei pela janela e tinham varias pessoas conversando.
Eu e Laura entramos e cumprimentamos os conhecidos, inclusive Rose. Laura muito divertida ficava dançando e conversando muito, eu só ficava sentada, totalmente introvertida. Depois de algum tempo sentada ali, alguem chegou perto de mim com uma voz doce e grave, e disse
"Que surpresa te encontrar aqui !"
"Ah, é voce. Que susto, voce chega sempre assim, do nada " eu disse, assustada.
"Desculpa, não queria te assustar. Nem imaginei que voce iria estar aqui." ele disse com o sorriso mais iluminado do mundo.
"Nem eu imaginei. E sua namorada, cadê ela ?" disse com aquele sarcasmo que era involuntario, totalmente fora de mim.
"Não tenho namorada." ele disse ainda sorrindo, e eu fiquei com a maior cara de quem disse algo que não era para ser dito, como Laura tinha feito um pouco antes no carro.