domingo, 21 de agosto de 2011

Capitulo 20- Alice

Eu poderia ter sido a pessoa mais ignorante. Mas eu não podia perder a oportunidade de tornar tudo perfeito. Eu não podia perder a oportunidade de estar cara a cara com Artie e tornar tudo ainda mais perfeito.
Eu estava com uma cara disfarçadamente apaixonada com uma mão na maçaneta da porta, a outra no cabelo bagunçado e uma roupa qualquer, meio maltrapilha pra receber alguém em casa e Artie com roupas típicas de colégio, de suéter azul, mãos no bolso me encarando com os olhos verdes que sempre me prenderam de tal forma, aqueles segundos se tornaram inesquecíveis para mim, até hoje.
Depois do que Artie disse, eu mudei minha expressão de garota nada simpática para um sorrisinho meigo e olhos atentos.
"Me ver?" e o meu sorriso continuou, dando a entender que eu teria gostado da ideia.
"Sim." Artie olhou para os lados e demorou para completar a frase monossilábica. "O dia esta lindo demais pra passar sem você ao meu lado." E o sorriso alinhado que tanto me fazia falta estava surgindo na minha frente e eu cuidei para que eu não perdesse nenhum movimento vindo da parte dele. Eu andei até ele, fechei os olhos, senti o perfume e respiração dele tocando minha orelha e parte da bochecha. E o abracei. Como se nada mais pudesse me tirar essa sensação novamente.
"Obrigado por vir aqui..." Eu disse desabraçando-o. "Vamos entrar" E sorri para ele novamente, trazendo ele para dentro de casa de mãos dadas.
"Oi Artie ! Quanto tempo que eu não te vejo por aqui." Laura disse indo para abraçar ele daquele modo afetivo que ela sempre teve.
"É, eu preciso frequentar mais a sua casa.." Artie percorria os olhos pela casa.
"É verdade ! Ai Alice, vou sair agora com Rose pra fazer umas compras e depois pegar um cineminha." Laura me deu um beijo no rosto e colocou a chave na maçaneta. "Nos vemos depois. Tchau Artie !" Laura fechou a porta, e como ela tinha saído, o silencio se instalou na casa. Por uma fração de segundo, eu decidi impulsivamente, contemplar aquele rosto perfeito, que antes estava numa vaga lembrança, e que agora, estava ali, presente bem na frente dos meus olhos. Era delirante, mas eu me contive e dei apenas um sorriso largo, que pôde por si só, demonstrar os meus sentimentos por Artie, que eu mesma desconhecia.
"Fique à vontade ai" Eu disse tentando quebrar o gelo, mas eu realmente nunca fui boa nisso.
"Mas é claro, Laura já me disse isso nas outras vezes que eu estive aqui" Artie disse e se sentou de modo espaçoso no sofá laranja.
"Ah..." balancei a cabeça com um sorriso torto. "Vou pegar refri pra gente." Voltei com dois copos de coca cola e uns chocolates na mão e me sentei do lado dele.
"O que anda acontecendo com você nesses últimos dias, hein?!" Artie disse com uma expressão preocupada, passando os braços por cima dos meus ombros.
"Aposto que não é nada comparado ao que acontece com você..." Deixei escapar. De propósito, diga-se de passagem.
"Você vai me contar ?" Artie dirigiu a palavra a mim, anulando tudo o que eu tinha dito antes.
"Ai, nada demais. É que eu dediquei esses últimos meses pros livros e alguns tópicos legislativos. Mas e você, o que acontece ?"
"O desequilíbrio emocional, as vezes, mexe bastante comigo." Ele mordeu o lábio inferior.
"Nossa, quem diria, né.." E encostei minha cabeça no ombro dele.
"É, eu comentei sobre essas coisas com Victor e..."
"Quem?" A pergunta retórica seguida da cara surpresa foi necessária.
"Victor, ué.Todos sabem quem ele é." Artie olhou estranho e não entendia meu choque de realidade. Eu reagi surpresa a toda essa situação. Eu estava dividida entre amigos. Mas isso foi até eu abrir a porta de casa e ver Artie, para ter certeza do que eu sentia. Não era banal. Ao menos, não para mim. Querer alguém como eu queria Artie era inconfundível. Eu poderia sentir boas emoções com Victor, mas nada se comparava as batidas do meu coração, pulsando rápida e incontrolavelmente o sangue por todo o meu corpo, como se Artie fosse, literalmente, o próprio sangue que corria em minhas veias, já tão distintas.

sábado, 13 de agosto de 2011

Capitulo 19- Alice

O dia amanheceu lindo e eu não achava isso a meses. Eu pude ver o nascer do sol, e nada me dava uma melhor sensação de bom dia como ver o sol espalhando as nuvens com seus raios, deixando o céu aberto em poucos minutos, e logo ao olhar para o chão ver uma espessa camada de neve. Era raro eu gostar do dia e mais raro ainda acordar de bom humor. A pergunta que não queria calar dentro de mim era: será que tinha algo para acontecer? Eu era pessimista e a resposta mais viável para mim mesma era que o dia estava ótimo porque estava me preparando para uma situação ruim. Voltei para minha cama depois de apreciar o amanhecer com uma emoção jamais sentida, meus pensamentos emendaram-se com meus sonhos, e eu dormi novamente. Quando acordei, minha cabeça estava cheia e comecei a por os pensamentos em ordem. E o que estava martelando era que eu tinha uma família independente dos problemas. Eu não poia e nem queria me acomodar com a situação de estar na casa de Laura. Era meu conforto provisório, mas minha mãe sempre dizia que para avançar, muitas vezes, eu teria que sair da zona de conforto. E foi o que eu fiz. Tomei coragem e liguei para Matthew, meu irmão que andava um pouco mais distante de mim que o normal depois daquele imprevisto em casa.
"Alô? Alice? É você mesmo?" Várias perguntas tomaram conta daquele momento, no mínimo, desconfortável.
"Sim, é a Alice...hum, liguei para saber como você está..." eu não queria, mas estava sem jeito para falar com meu irmão.
"Eu estou bem. Eu tava pra te ligar essa semana, tenho boas notícias do pai." Ele estava com uma voz boa e confiante do outro lado da linha.
"Tem? O que?" Tentei não mostrar interesse demais, mas não obtive sucesso.
"Ah, ele estava numa clínica por todo esse tempo para se recuperar da saúde, dos vícios e..."
"Por que não me disse antes?" Eu disse seca num tom de voz alterado.
"Eu sabia que você precisava de um tempo para ficar bem. Eu te conheço, maninha !" Matthew era um irmão ausente, mas ele sempre soube da melhor hora para tudo. Ele era uma boa pessoa.
"É, eu precisava mesmo." Eu não queria ter admitido isso. "Mas qual é a notícia boa?"
"Ele volta nesse fim de semana." Parece que ele falava sorrindo ao telefone.
"O pai?" Fiquei sem reação.
"É claro ! Bem, eu não sei onde você tá agora, mas você podia ir para casa no domingo n..."
"Parece ótimo, vou estar lá, obrigado por avisar." Cortei meu irmão imediatamente.
"Espere ! Você vai voltar para casa dessa vez?"
"Dessa vez eu volto para ficar, não quero mais fugir dos problemas."
"Vai mesmo ?" A insegurança dele me matava.
"Prometo que sim. É definitivo."
"Obrigado, maninha. Nos vemos domingo. Tchau." Ele estava claramente aliviado.
"Ok, tchau." Eu estava seca com minhas palavras, mas meus reais sentimentos indemonstráveis eram ótimos.
 Toda essa situação era boa, mas me deixava meio perdida comigo mesma. Teria sido essa a boa notícia inesperada?
Meu dia se passava de forma tranquila, como nunca havia passado antes e cada segundo foi aproveitado intensamente.
"Bom dia, amiga !" Disse Laura com seu bom humor inesgotável.
"Bom dia !" Eu disse retornando o sorriso alegre de Laura. "Tenho novidades..."
"HUM... Novidades do quê, hein ?!" Laura, como sempre, desconfiada.
"Do meu pai... Ele estava numa clínica de reabilitação e domingo ele vai voltar para casa." Laura sorriu comovida.
"Ual, quem diria... Fico feliz de verdade, por sua família. Você também está feliz, né?"
"É obvio que sim."
que não parece, quer dizer, nunca parece que você sente algo."
"Eu sei... Mas não é aí onde eu quero chegar." Eu disse desviando o olhar para qualquer coisa que pudesse me distrair.
"E é a onde então ?"
"Eu vou voltar para casa no domingo." eu estava comendo uma torrada com manteiga que tinha acabado de ficar pronta.
"Sério?" Laura ficou tão impressionada que até largou os talheres de forma relaxada na mesa. "Caramba Alice, o que está acontecendo com você hoje?"
"Nada, só acordei de bom humor."
"Ah, você acordando de bom humor é por que ta acontecendo alguma coisa sim !" Laura riu e eu fiz uma cara de reprovação. "Mas eu acho ótima a ideia de você querer voltar, é muito importante."
Eu concordei com Laura e me retirei da mesa, lembrando que seria uma das ultimas vezes na casa dela. Já era de tarde e o sol continuava a meu favor. Foi um dia bom para resolver algumas coisas e pensar em planos. Foi ótimo, por sinal.
"Alice, tem alguém na porta!" Laura gritou da sala, que ficava no andar de baixo.
"Ta, vou ver." Desci, abri a porta e dei de cara com um par de olhos verdes brilhantes, um sorriso torto e o corpo mais aconchegante encostado no batente da porta. Era Artie e sua beleza exuberante.
"é...Oi" Artie disse ainda com o sorriso torto.
"Oi. Você veio ver a Laura?"
"Não exatamente." Ele passou a mão no cabelo, bagunçando seu topete.
"Então, me diga exatamente o que você veio fazer aqui." Eu disse como se fosse extremamente comum ser ignorante com as pessoas.
"Ver você." Ele disse baixo, ficou vermelho mas continuou me encarando.
Eu não sabia o que fazer. Eu não conseguiria dizer um 'não' pra ele. Na verdade, eu não conseguia dizer nada. Fiquei parada ali por segundos intensos, fazendo com que aquele sentimento bobo de borboletas no estomago, coração acelerado, cabeça a mil e mãos suando invadisse meu corpo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capitulo 18- Narrador


Até aqui, você acompanhou essa história contada pela própria Alice. Neste capítulo, vou contar para vocês, do ponto de vista comum, o que aconteceu numa conversa de refeitório entre Artie e Victor .
Eles estavam sentados discutindo sobre os estudos, o que para Victor era banal de vista, mas para Artie era complicado pelo fato de ele sempre estar longe, com seus pensamentos em Alice.
"Sabe Artie, as vezes eu acho que eu preciso de a..." E Victor olhou em seu celular que teria acabado de vibrar, perdendo o 'fio da meada'.
"Alice" Artie disse num som inaudível. Ela era tudo o que ele queria, apesar de ser complicado as vezes.
"A...Algo para me concentrar mais...Espera ai, o que você disse?" Victor retomou a conversa depois de ler rapidamente, 'comendo' algumas palavras, a mensagem que ele acabara de receber.
"E-eu disse? Não disse nada não. E até parece que você precisa se concentrar, você é um ótimo aluno, todos sabem disso." Na cabeça de Artie estava ótimo ter dado umas desculpas para disfarçar, mas Victor o conhecia bem, afinal eles se conheciam desde a sexta série. Eles eram melhores amigos e Alice nem desconfiava.
"Oras, deixe de mentiras. Eu te conheço tão bem quanto a sua mãe e o Artie que eu conheço não fica gaguejando, nem gesticulando com as mãos com um olhar perdido." Artie olhou para baixo, refletindo no que Victor acabara de dizer. "Você anda apaixonado por uma dessas meninas que você fica, né ?" Artie não queria responder, mas sabia que ocultar isso de Victor não era a melhor ideia. Ele respirou fundo, olhou fixamente para as laterais da mesa.
"É mesmo, me desculpe. E sim é por uma dessas meninas que eu fico. Na verdade, só a beijei uma vez e parecia ter sido a primeira vez sabe? Ela é diferente de tudo o que eu já vi ou pensei, não sei explicar. Quer dizer, é impossível explica-la. É o que eu sempre desejei." Artie deu um sorriso e soltou um suspiro após toda a confissão.
"Nossa, em 8 anos que nos conhecemos eu nunca te vi assim... Eu que sempre fui o apaixonado" Victor deu um sorriso abafado, se lembrando do passado e de como tudo tinha mudado desde então. "Mas eu sei como é."
"Sabe? Você também ta apaixonado, é?" Artie fez aquelas gracinhas, mas estava desconfiado.
"Não." Victor foi seco. "As vezes eu sinto vontade de ter alguém, mas nada que me afetasse de tal forma, a chegar como você tá, entende ?" Ele coçou a cabeça, dando sinal de que ter apenas desejos de se satisfazer sem algo que o afetasse de tal forma estava virando cada vez mais comum. 
Victor era mesmo o mais apaixonado, mas depois que se mudou para Nova York e entrou para a universidade, seus conceitos mudaram radicalmente. É claro que o jeito carinhoso e legal de ser não mudou. Apenas seus conceitos, por razões aleatórias e desconhecidas.
"As coisas mudam mesmo, hein?!" Artie estava surpreso com essa informação. Ele nunca imaginou que Victor deixaria todos os sentimentos de lado de uma hora para outra.
"Ei, quem é a dona desse seu coração ai ?" Victor disse pensando em como ele não tinha perguntado isso antes.
"Ela cursa direito e, ah... Não acho uma boa dizer agora . Eu confio em você e não quero que passe pela minha cabeça desconfiar de você caso ela descubra algo." Victor foi compreensivo e também ficou indignado. 
"Mas ela não sabe de nada ? Nem desconfia?" Victor estava inconformado, mas nada que alterasse seu tom pausado de falar com as pessoas.
"Não. Quero dizer... hum...Na verdade, ela deve saber. Eu confesso que deixo transparecer e ela também é inteligente né." Artie sorriu largamente logo em seguida, pois pensar em Alice era como entrar em êxtase involuntária e instantaneamente.  
Na mente de Victor passavam dúvidas, desconfiança e mais dúvidas. Ele estava ligando os pontos. Ele não queria a Alice para sempre, mas era banal sentir ciumes dela, afinal, ela se tornara a pessoa mais incrível para Victor desde o primeiro contato verbal.
"Ela é inteligente?" Victor olhava para baixo fazendo uma pergunta retórica, enquanto Artie devorava um lanche da forma mais ética possível. Victor se irritava ao ver que até comendo um lanche ele parecia um príncipe.
"Você ta falando comigo ?" Artie disse de boca cheia, nem ligando para o que Victor acabara de dizer.
"Eu? Não, tava falando comigo mesmo.
Hum. Esse lanche ta muito bom!" Artie tinha um vocabulário ótimo e não usava gírias. 
"Pena que não to com fome, se não..." Victor falou com a mão na barriga, típico de quando queremos dizer que comer tal coisa seria uma ótima ideia. 
Eles continuaram a conversar, mas sobre outras coisas e foram embora. Victor para a casa dele e Artie para a casa de Laura. Ele precisava ver Alice de qualquer jeito.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitulo 17- Alice

"Alice, temos que ir." disse a voz alegre de Laura seguida de alguns risos das piadas que estavam rolando.
"Esperem, vamos tirar uma foto." Victor apareceu prontamente com a câmera fotográfica na mão.
"Mas é claro, nem tem como recusar uma foto pra lembrar desse dia." Laura finalizou a frase me abraçando, fazendo pose pra foto.
"Pode deixar, eu tiro" Eu disse tirando o braço de Laura de cima dos meus ombros, me esforçando para não sair na foto.
"Mas é claro que não. Já até providenciei os tripés." Victor disse como se ele não entendesse que eu não queria sair na foto de jeito nenhum.
"Nossa, como eu pude me esquecer..."  Tentei fingir masa ironia foi uma pouco maior e perceptiva, com uma pitada de sarcasmo.
"Agora venha aqui, mocinha. Não tenta fugir não" Laura disse e deu um risinho abafado, porque ela havia entendido o que eu queria dizer, mas não disse.
"Tabom, vai" resmunguei e me coloquei de pé, com um pouco de cabelo na cara para esconder meu rosto envergonhado.
E foi com risadas, fotos e altos papos com Laura que terminou a minha noite. Na verdade, assim teria só começado. Pois certos sonhos tornaram a noite longa e totalmente estranha. Era estranho sonhar tudo o que eu cheguei a desejar um dia com Victor.
Naquela noite, sonhei que nós riamos muito e andávamos de mãos dadas nas ruas. Pra ser mais precisa, sonhei que éramos um casal absurdamente feliz e que segundos antes de eu acordar, ele dormia me abraçando. Acordei, e foi como se eu sentisse seus braços me entrelaçando de verdade, como aconteceu no sonho. Quando dei por mim, eu estava sorrindo como se fosse real, como se eu tivesse vivido aquilo intensamente.
Dois meses se passaram desde então, teriam provas bimestrais e eu dediquei os dois meses para estudar bem, pois a faculdade de direito era meu sonho se concretizando aos poucos, e eu faria de tudo para ir até o fim. Até mesmo, seria capaz de deixar de sair e de falar com Victor, e deixaria de tentar entender o porque a distancia entre eu e Artie só aumentava novamente. E foi o que eu fiz. E digo que o resultado disso foi bom nas minhas notas e foi ruim em todo o resto. Minha vida social que já era parada, ficou praticamente inexistente. Eu só falava realmente o necessário. Sentia falta de conversar com Victor e ver seu sorriso tão limpo e alinhado tomando quase toda minha visão. Sentia falta de poder rir e falar de tudo com Laura, o que fez tudo ficar mais entendiante. Artie vivia sua vida e eu a minha. As vezes, eu pensava que devia acontecer algumas coisas com ele em relação a mim e ele precisasse de um tempo longe de tudo que o rodeava. Ou pelo menos, longe do que era comum entre nós. Era a segunda vez em 7 meses que eu conhecia Artie, que ficávamos em diferentes plataformas divididas por um abismo. Me dava vontade de me jogar na neblina que me impedia de ver o final, conhecendo aleatoriamente os segredos de Artie em meio a tanto frio. Me dava vontade sempre que isso acontecia. Era esgotante, mas eu me esforçava para não deixar minha opressão pessoal em evidencia e para não me deprimir sem a voz rouca e incomparável dele ao pé do meu ouvido, sem seus braços levemente fortes envolta da minha cintura, me passando a maior onde de calor e a maior vontade de te-lo para sempre e sem seus olhos verdes flamejantes me olhando querendo desvendar o que ocorria em meus pensamentos em determinados momentos juntos. Era o que me completava, mas entrava em devaneio no auge das emoções, que eu deixei substituir o que era único por algo bom. E o 'algo bom' era um sorriso perfeito e uma igualdade oposta de caráter entre eu e Victor. Nesses dois meses sem me comunicar direito, parecia que Victor se realizava em meus sonhos. O que se tornou mutuamente constante, estranho e perturbador. Era bom, mas logo vinha a voz da razão me incomodando, dizendo que estava tudo errado. E realmente devia estar. Não era comum esses sonhos ilusoriamente reais acontecerem da noite pro dia, e o protagonista disso tudo ser o cara que eu considerava meu amigo até então. Tudo estava fora do meu alcance naqueles dias. Artie vivia se fechando pra mim, e Victor mudara suas intenções comigo. Eu estava esperando o pior, e querendo ou não, essa situação de ser amiga de mim mesma e sonhos estranhos, era confortante.