sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Capítulo 24- Victor

Caminhava lentamente pela rua, que estava solitária e silenciosa num dia cinza com direito a neblina e vento gelado, e eu me perguntava se teria como tudo ficar mais perfeito. Naquele domingo, ao menos para mim, as horas se passavam lentamente, o que já era algo surpreendente. Mas, porque eu estava caminhando numa manhã de domingo mesmo? Seguindo minhas vontades? Só podia ser. Eu me sentia bem, mas esse sentimento era limitado ao pensar em Alice. Alice. Esse nome de novo na minha mente...
Encostado numa árvore, os pensamentos que eu evitava a muito tempo, vieram á tona. Ela e Artie, meus supostos sentimentos por ela, minha amizade com Artie. Não queria compreender tudo isso, era muito difícil, na verdade. Eu nunca achei que omitir tudo para Artie naquele dia no refeitório iria adiantar algo.
Não, não estava nada certo, e eu não devia ter ficado debaixo daquela árvore por tanto tempo.
Continuei caminhando com os últimos pensamentos vagos no meu subconsciente, querendo tomar algum rumo que fizesse tudo isso desaparecer.
Um parque, pensei.
Um parque de diversões, seria bom para extravasar. Chamar alguns amigos era legal, mas talvez eu pudesse ficar sozinho mesmo. Eu e meus sentimentos.
Eu tive que pegar um táxi para ir até lá, e me praguejei por não estar de carro quando a chuva fina começou.
Paguei o ingresso, entrei. Estava meio vazio, e depois eu reparei no tempo ruim que estava para ir num parque de diversões. Caminhei afim de encontrar algum brinquedo legal, mas o que me chamou atenção mesmo foi um jogo de armas. Incrível. Fiquei lá por quase uma hora, e ganhei tickets suficiente para trocar por qualquer coisa. Saí de lá e fui direto trocá-los. De longe eu já o avistava, e tinha umas três pessoas na fila mas eu ainda não enxergava os rostos delas.
Ando rápido, na esperança que ninguém entre na fila. Rápido. Rápido. Paro. Devagar. Paro novamente antes mesmo de chegar, dessa vez por um motivo surpreendente. Um rosto conhecido, um rosto magnificamente perfeito, o rosto de Alice.
Ela era a primeira da fila, estava debruçada no balcão, esperando o funcionário dar uma sacola meio grande pra ela. Eu a olhava um pouco distante, e talvez ela fosse a paisagem que eu mais gostava de apreciar. E a pergunta que eu me fazia no começo do dia foi respondida quando ela se virou e olhou diretamente para mim. Se tinha como algo ficar perfeito, Alice era o mais próximo disso.
Caminhei em sua direção, ela hesitou mas logo veio até mim também.
"Você por aqui..." sem abraços ou beijos dela, apenas um sorriso forçado para demonstrar simpatia.
"É, não imaginava te encontrar aqui"
"Nem eu, na verdade"
"Hum, e como você tá?"
"Muito bem. Estou em casa com meu pai, finalmente" E ela sorriu, como quem não quer nada.
"Fico feliz por você!"
"Obrigado. E você está bem?"
"Na medida do possível" Encarei os olhos tão nítidos de Alice, e eu me indagava sobre o que se passava na cabeça dela.  "Eu sinto a sua falta" Eu disse, sem querer.
"Oh, Victor. Eu também sinto sua falta... Sinto falta de conversar todos os dias e sobre tudo com você, da nossa amizade... M-mas não do que criamos depois disso." Direta. Essas palavras doeram, foram certeiras como uma flecha.
"Não sei... Não sei se posso entender isso agora."
"Tente. Porque agora estou com Artie e estou muito bem ao lado dele" E como se já não bastasse, ela continuou. "Desculpe,  tenho que ir." Seguido de um aceno de mão, ela se virou e foi andando e andando, até eu enxergá-la longe nos braços de Artie.

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