quinta-feira, 5 de maio de 2011

Capitulo 2- Alice

A manhã estava otima para mim naquela segunda-feira de março (mesmo eu odiando as segundas e muito mais as manhãs). Aquele dia foi tão comum. Tão comum até certa hora. Tudo parecia estar voltando (digo, os sentimentos, que talvez eu tenha deixado empoeirar desde o fim do ensino fundamental) na noite em que Laura me chamou para ir numa sorveteria do centro com uns amigos dela, que eu só conhecia de ouvir falar.
Nem sei porque topei, não gosto de sair às segundas, muito menos com gente desconhecida.
Cheguei lá exatamente no horario combinado, mas sempre fui pontual e como sempre, cheguei antes que todos. Sentada numa cadeira onde a mesa estava vazia enquanto esperava-os, comecei a reparar em mim. Estava com um jeans, uma camiseta branca por baixo do meu suéter marrom e meu all star preto de cano médio, que tanto gosto. Meu cabelo estava como sempre: liso, solto e meio bagunçado por conta de correria do dia. Eu estava simples. Para mim eu estava confortavel, mas não deixava de estar simples. Estava ótimo assim, não queria chamar nenhuma atenção. Laura havia comentado que viriam as meninas que almoçam com a gente mais uns dois meninos da faculdade. Depois de me lembrar disso me senti simples e horrivel. Era todos bem vestidos, e eu sempre fui simples, pois teria que pagar a faculdade (era bolsista integral, na verdade) e ajudar meu pai em casa com algumas contas. Não que eu me importasse com a opinião alheia, eu só tento agradar a mim mesmo quando possivel.
 Depois de uns quinze minutos, eles chegaram; era Laura, Jhenifer, Rose com mais dois garotos do segundo ano de jornalismo. Cumprimentei todos, dada a minha boa educação. Mas havia um que me chamou uma atenção maior. De fato, estava louca pra perguntar o nome dele, nem sabia o que estava acontecendo comigo (não podia ser eu), quando ele se direciona a mim.
 " Como é mesmo seu nome?" ele disse.
Por um momento, nem reparei o quanto eu estava comum em relação a todos eles, nem reparei em nada a não ser nos seus olhos penetrantes que imaginei que me deixariam sem ar por um instante.

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