Me senti bem ao saber que ele não podia esquecer de alguém quase anti-social e ríspida como eu. Onde estava a teoria que eu afasto as pessoas ? Não parecia, mas meu coração de pedra não tinha sido quebrado com o charme banal de Artie. Absoluto que ele fazia isso com todas as garotas que não davam a minima pra ele, para depois ficarem babando igual todas as outras.
Não disse nada, nem fiz um breve comentario como costumava. Apenas pensei. Pensei o quanto ele era um idiota ao achar que me renderia a ele dessa forma, e então a pulsação do meu coração voltou ao normal. Voltou ao ódio insano que eu criei por ele desde então; eu voltei a ser quem eu era antes de toda essa bobeira melosa em relação a Artie. E a conversa entre eu e ele acabou por ali, sem eu dizer ou expressar alguma coisa, A não ser Laura que conversava de tudo com ele, até parecia que ela não percebia o quanto ele era futil. Confesso que fiquei indignada.Nos próximos dois meses foram assim. Eu me ocupava com Laura e suas amigas e depois daquela conversa, Artie nunca mais se sentou conosco e eu e ele, consequentemente, viramos apenas conhecidos. Me perguntava quando ele iria puxar uma cadeira e se sentar novamente comigo e Laura. Eu faria tudo diferente. Aquilo realmente me fazia falta. Algo me atraía a ele, me atraia tanto que eu precisava ficar distante. Distante, principalmente, de seus olhos. Sim, eu me saia bem quando eu fingia não sentir nada ao olhar em seus olhos, como eu esperava. Mas já fazia tanto tempo que eu tinha medo de falhar. O que poderia acontecer se nossos caminhos se cruzassem e nossos olhos se encontrassem novamente ?
Eu já estava tão confusa, a ponto de me calar. Me calar mesmo, só dizer o que era extremamente necessario.
Eu não entendo. Eu não era assim há dois anos, quando mamãe estava aqui...

Nenhum comentário:
Postar um comentário