Parecia compulsivo. E era. Eu não entendia e me deixava levar pelas emoções de estar cativa a um sorriso tão banal e tão diferente. Seria, de fato, o Victor ou seria minha vontade de não querer seguir minhas intuições ? Era certou ou era errado?
Esses pensamentos vinham de encontro a minha mente enquanto ele pegava timidamente a minha mão e acariciava meu dedo indicador com o polegar. Eu continuava igual por fora, sem reagir a seus atos. Por dentro, eu estava a mil, como sempre. Eu odiava ser uma Alice inexpressiva por fora e ser outra Alice por dentro. A Alice legal, divertida mas nem tanto, a Alice de verdade que estava escondida dentro de mim, era a quem Laura conhecia. Laura era uma pessoa no minimo admirável, e eu gosto de ressaltar isso. Mas foi compreensiva demais em querer que eu fosse a 'outra Alice' com Victor e nos deixar sozinhos na sala de estar e ir conversar com os outros convidados.
Eu e Victor eramos tão iguais que eu podia saber o que ele estava pensando em fazer naquele momento tão a sós. Os pensamentos dele eram altos e ele nem precisou falar nada para eu escutá-los em minha mente. "Você é linda" ele disse sussurrando, quebrando o gelo de uma forma excepcional e ao mesmo tempo passando seus dedos em minha nuca, me trazendo lentamente pra perto de si. Estava cada vez mais perto, chegando a menos de um dedo de distancia de nossas bocas, eu sentia o ar quente que vinha de dentro dele em meu rosto e minha mão esquerda se encontrava em seus cabelos loiros perfeitamente bagunçados (devido aos meus movimentos espalhafatosos) e eu fechei os olhos. Parecia o certo, mas algo me dizia que estava errado. E essa voz era a mais alta.
Fechei os olhos, respirei fundo a ponto de nossos pulmões se encostarem e minha respiração atingir seu rosto.
"Não..não é certo." Eu disse apagando a lareira que existia entre nós com uma avalanche de gelo. Acompanhada, logo em seguida, de frustração e a conformação de eu sempre tornar o que devia ser bom em pensamentos negativos, e conseguir isso apenas com palavras. E isso era cada vez mais normal.
"Ainda bem que existe a razão, não é mesmo?" E lá ia o Victor quebrando o gelo mais uma vez com seu humor. Não foi nada sarcástico, e isso era algo muito oposto entre eu e ele. Eu abri os olhos sem entender muito bem o que estava acontecendo.
"Por que?" eu não queria ter perguntando isso.
"Porque senão o lado coração iria continuar não fazendo o certo. Desculpa pelo meu coração sem prudencias." Eu simplesmente deixei de toca-lo e sentei virada para frente da sala, como uma flor murcha, olhei para baixo.
"Não peça desculpas. Eu não vou te desculpar pelos seus sentimentos, afinal, eles nem sempre tem razão." eu disse num volume baixo, num tom colérico.
"Tudo bem." seu jeito compreensivo era irritante e descomunal. Victor levantou num pulo "Quer refrigerante?"
"Sim, mas pode deixar que eu pego" E nos juntamos a galera que estava comendo fast food na cozinha.
Não sei ao certo, mas algo estava mudando em mim. Pra ser mais exata, a forma de ver Victor. Toda essa intensidade me indagava e me aproximava mais do que eu realmente era.

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