terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitulo 17- Alice

"Alice, temos que ir." disse a voz alegre de Laura seguida de alguns risos das piadas que estavam rolando.
"Esperem, vamos tirar uma foto." Victor apareceu prontamente com a câmera fotográfica na mão.
"Mas é claro, nem tem como recusar uma foto pra lembrar desse dia." Laura finalizou a frase me abraçando, fazendo pose pra foto.
"Pode deixar, eu tiro" Eu disse tirando o braço de Laura de cima dos meus ombros, me esforçando para não sair na foto.
"Mas é claro que não. Já até providenciei os tripés." Victor disse como se ele não entendesse que eu não queria sair na foto de jeito nenhum.
"Nossa, como eu pude me esquecer..."  Tentei fingir masa ironia foi uma pouco maior e perceptiva, com uma pitada de sarcasmo.
"Agora venha aqui, mocinha. Não tenta fugir não" Laura disse e deu um risinho abafado, porque ela havia entendido o que eu queria dizer, mas não disse.
"Tabom, vai" resmunguei e me coloquei de pé, com um pouco de cabelo na cara para esconder meu rosto envergonhado.
E foi com risadas, fotos e altos papos com Laura que terminou a minha noite. Na verdade, assim teria só começado. Pois certos sonhos tornaram a noite longa e totalmente estranha. Era estranho sonhar tudo o que eu cheguei a desejar um dia com Victor.
Naquela noite, sonhei que nós riamos muito e andávamos de mãos dadas nas ruas. Pra ser mais precisa, sonhei que éramos um casal absurdamente feliz e que segundos antes de eu acordar, ele dormia me abraçando. Acordei, e foi como se eu sentisse seus braços me entrelaçando de verdade, como aconteceu no sonho. Quando dei por mim, eu estava sorrindo como se fosse real, como se eu tivesse vivido aquilo intensamente.
Dois meses se passaram desde então, teriam provas bimestrais e eu dediquei os dois meses para estudar bem, pois a faculdade de direito era meu sonho se concretizando aos poucos, e eu faria de tudo para ir até o fim. Até mesmo, seria capaz de deixar de sair e de falar com Victor, e deixaria de tentar entender o porque a distancia entre eu e Artie só aumentava novamente. E foi o que eu fiz. E digo que o resultado disso foi bom nas minhas notas e foi ruim em todo o resto. Minha vida social que já era parada, ficou praticamente inexistente. Eu só falava realmente o necessário. Sentia falta de conversar com Victor e ver seu sorriso tão limpo e alinhado tomando quase toda minha visão. Sentia falta de poder rir e falar de tudo com Laura, o que fez tudo ficar mais entendiante. Artie vivia sua vida e eu a minha. As vezes, eu pensava que devia acontecer algumas coisas com ele em relação a mim e ele precisasse de um tempo longe de tudo que o rodeava. Ou pelo menos, longe do que era comum entre nós. Era a segunda vez em 7 meses que eu conhecia Artie, que ficávamos em diferentes plataformas divididas por um abismo. Me dava vontade de me jogar na neblina que me impedia de ver o final, conhecendo aleatoriamente os segredos de Artie em meio a tanto frio. Me dava vontade sempre que isso acontecia. Era esgotante, mas eu me esforçava para não deixar minha opressão pessoal em evidencia e para não me deprimir sem a voz rouca e incomparável dele ao pé do meu ouvido, sem seus braços levemente fortes envolta da minha cintura, me passando a maior onde de calor e a maior vontade de te-lo para sempre e sem seus olhos verdes flamejantes me olhando querendo desvendar o que ocorria em meus pensamentos em determinados momentos juntos. Era o que me completava, mas entrava em devaneio no auge das emoções, que eu deixei substituir o que era único por algo bom. E o 'algo bom' era um sorriso perfeito e uma igualdade oposta de caráter entre eu e Victor. Nesses dois meses sem me comunicar direito, parecia que Victor se realizava em meus sonhos. O que se tornou mutuamente constante, estranho e perturbador. Era bom, mas logo vinha a voz da razão me incomodando, dizendo que estava tudo errado. E realmente devia estar. Não era comum esses sonhos ilusoriamente reais acontecerem da noite pro dia, e o protagonista disso tudo ser o cara que eu considerava meu amigo até então. Tudo estava fora do meu alcance naqueles dias. Artie vivia se fechando pra mim, e Victor mudara suas intenções comigo. Eu estava esperando o pior, e querendo ou não, essa situação de ser amiga de mim mesma e sonhos estranhos, era confortante.

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