sábado, 13 de agosto de 2011

Capitulo 19- Alice

O dia amanheceu lindo e eu não achava isso a meses. Eu pude ver o nascer do sol, e nada me dava uma melhor sensação de bom dia como ver o sol espalhando as nuvens com seus raios, deixando o céu aberto em poucos minutos, e logo ao olhar para o chão ver uma espessa camada de neve. Era raro eu gostar do dia e mais raro ainda acordar de bom humor. A pergunta que não queria calar dentro de mim era: será que tinha algo para acontecer? Eu era pessimista e a resposta mais viável para mim mesma era que o dia estava ótimo porque estava me preparando para uma situação ruim. Voltei para minha cama depois de apreciar o amanhecer com uma emoção jamais sentida, meus pensamentos emendaram-se com meus sonhos, e eu dormi novamente. Quando acordei, minha cabeça estava cheia e comecei a por os pensamentos em ordem. E o que estava martelando era que eu tinha uma família independente dos problemas. Eu não poia e nem queria me acomodar com a situação de estar na casa de Laura. Era meu conforto provisório, mas minha mãe sempre dizia que para avançar, muitas vezes, eu teria que sair da zona de conforto. E foi o que eu fiz. Tomei coragem e liguei para Matthew, meu irmão que andava um pouco mais distante de mim que o normal depois daquele imprevisto em casa.
"Alô? Alice? É você mesmo?" Várias perguntas tomaram conta daquele momento, no mínimo, desconfortável.
"Sim, é a Alice...hum, liguei para saber como você está..." eu não queria, mas estava sem jeito para falar com meu irmão.
"Eu estou bem. Eu tava pra te ligar essa semana, tenho boas notícias do pai." Ele estava com uma voz boa e confiante do outro lado da linha.
"Tem? O que?" Tentei não mostrar interesse demais, mas não obtive sucesso.
"Ah, ele estava numa clínica por todo esse tempo para se recuperar da saúde, dos vícios e..."
"Por que não me disse antes?" Eu disse seca num tom de voz alterado.
"Eu sabia que você precisava de um tempo para ficar bem. Eu te conheço, maninha !" Matthew era um irmão ausente, mas ele sempre soube da melhor hora para tudo. Ele era uma boa pessoa.
"É, eu precisava mesmo." Eu não queria ter admitido isso. "Mas qual é a notícia boa?"
"Ele volta nesse fim de semana." Parece que ele falava sorrindo ao telefone.
"O pai?" Fiquei sem reação.
"É claro ! Bem, eu não sei onde você tá agora, mas você podia ir para casa no domingo n..."
"Parece ótimo, vou estar lá, obrigado por avisar." Cortei meu irmão imediatamente.
"Espere ! Você vai voltar para casa dessa vez?"
"Dessa vez eu volto para ficar, não quero mais fugir dos problemas."
"Vai mesmo ?" A insegurança dele me matava.
"Prometo que sim. É definitivo."
"Obrigado, maninha. Nos vemos domingo. Tchau." Ele estava claramente aliviado.
"Ok, tchau." Eu estava seca com minhas palavras, mas meus reais sentimentos indemonstráveis eram ótimos.
 Toda essa situação era boa, mas me deixava meio perdida comigo mesma. Teria sido essa a boa notícia inesperada?
Meu dia se passava de forma tranquila, como nunca havia passado antes e cada segundo foi aproveitado intensamente.
"Bom dia, amiga !" Disse Laura com seu bom humor inesgotável.
"Bom dia !" Eu disse retornando o sorriso alegre de Laura. "Tenho novidades..."
"HUM... Novidades do quê, hein ?!" Laura, como sempre, desconfiada.
"Do meu pai... Ele estava numa clínica de reabilitação e domingo ele vai voltar para casa." Laura sorriu comovida.
"Ual, quem diria... Fico feliz de verdade, por sua família. Você também está feliz, né?"
"É obvio que sim."
que não parece, quer dizer, nunca parece que você sente algo."
"Eu sei... Mas não é aí onde eu quero chegar." Eu disse desviando o olhar para qualquer coisa que pudesse me distrair.
"E é a onde então ?"
"Eu vou voltar para casa no domingo." eu estava comendo uma torrada com manteiga que tinha acabado de ficar pronta.
"Sério?" Laura ficou tão impressionada que até largou os talheres de forma relaxada na mesa. "Caramba Alice, o que está acontecendo com você hoje?"
"Nada, só acordei de bom humor."
"Ah, você acordando de bom humor é por que ta acontecendo alguma coisa sim !" Laura riu e eu fiz uma cara de reprovação. "Mas eu acho ótima a ideia de você querer voltar, é muito importante."
Eu concordei com Laura e me retirei da mesa, lembrando que seria uma das ultimas vezes na casa dela. Já era de tarde e o sol continuava a meu favor. Foi um dia bom para resolver algumas coisas e pensar em planos. Foi ótimo, por sinal.
"Alice, tem alguém na porta!" Laura gritou da sala, que ficava no andar de baixo.
"Ta, vou ver." Desci, abri a porta e dei de cara com um par de olhos verdes brilhantes, um sorriso torto e o corpo mais aconchegante encostado no batente da porta. Era Artie e sua beleza exuberante.
"é...Oi" Artie disse ainda com o sorriso torto.
"Oi. Você veio ver a Laura?"
"Não exatamente." Ele passou a mão no cabelo, bagunçando seu topete.
"Então, me diga exatamente o que você veio fazer aqui." Eu disse como se fosse extremamente comum ser ignorante com as pessoas.
"Ver você." Ele disse baixo, ficou vermelho mas continuou me encarando.
Eu não sabia o que fazer. Eu não conseguiria dizer um 'não' pra ele. Na verdade, eu não conseguia dizer nada. Fiquei parada ali por segundos intensos, fazendo com que aquele sentimento bobo de borboletas no estomago, coração acelerado, cabeça a mil e mãos suando invadisse meu corpo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário