segunda-feira, 27 de junho de 2011

Artie Lewis

Ela parecia ter interesse em mim. Era evidente que ela tinha medo, não das consequências, mas dos seus próprios sentimentos. Eu sei que eu ficava com várias outras garotas. Mas eu tinha um motivo que ela não sabia. Alias, ninguém sabia, e talvez ela seria a primeira. Eu a amava de verdade, a ponto de contar pra ela.
Sabe, ela me encantou desde a primeira vez, naquela sorveteria. Ela me encantou só de ter aquela presença incomparável, com aqueles cabelos bagunçados e com roupas simples que caiam tão bem naquele corpo magro e definido. Ela chamou minha atenção de uma forma indescritível. Era linda aos meus olhos, ela era diferente de todas e de qualquer coisa que eu já pude conhecer, até hoje. Ela não fazia o tipo padrão das garotas de Nova York. Era uma raridade que estava se aproximando de mim e eu não ia deixar passar um centímetro sem ao menos conhece-la. Na verdade, eu perdi muito tempo deixando tudo se passar. Eu já pude ver no rosto dela que as coisas não estavam fáceis, nem para mim estavam. Eu só não queria ser o desfeixo dessa solidão. Eu só queria que tudo ficasse bem com ela, e para isso eu precisei me afastar, eu precisei colocar meus pensamentos em ordem.
Eu também tinha medo. Medo de tudo que eu pudesse sentir, ser ferido e jogado fora, como se fosse algo momentâneo da minha vida. Era algo tão bom que eu iria fazer de tudo pra dar certo, eu iria até o fim para ser dono de cada batimento cardíaco e de cada suspiro dela. Nosso beijo foi tão natural. Nada foi forçado ou dramático. Apenas aconteceu por conta da atração de nossos corpos. Não foi por interesse algum além de mostrar meu amor, que estava sempre crescendo. Talvez, no começo, foi mesmo por uma atração. Uma atração por nada. Como se eu estivesse sendo atraido por vagalumes: brilhantes, simples e chamativos. Só sei que agora eu me impressionava a cada hora passada ao seu lado, ou até mesmo contemplando seu rosto de longe. Era bom de qualquer forma. Mas o amor estava me cegando porque eu não podia pensar que eu a machucaria com meus atos inconsequentes, num futuro próximo. O amor me cegava a ponto de acreditar que ela jamais poderia me fazer mal com seus atos conscientes. Alice era diferente, mas não era idiota e eu devia saber disso.

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