domingo, 12 de junho de 2011

Capitulo 12- Alice

Nessa solidão eu encontrei, quer dizer, resgatei Artie lá do fundo, novamente. Comecei a lembrar de como aquele olhar cheio de palavras e sentimentos múltiplos e indecifráveis e aquele sorriso delirante me faziam esquecer de tudo. Eu ficava de cabeça fria e coração quente, eu ficava sempre ao contrario do que eu era. Me tornava uma outra pessoa, de fato.
Laura continuou o resto da semana com licença medica, não que fosse algo preocupante.
Na sexta-feira, estava eu, de tarde, sentada no banco da praça da faculdade, no dia mais pensativo que eu já pude ter até hoje, tomando Starbucks e escrevendo numas folhas aleatórias apoiando num caderno, com meu cachecol colorido e Aquele all star, sozinha. Não era nada surpreendente eu estar sozinha. Mas pensativa e de cachecol colorido ? Tinha algo acontecendo comigo.
Coloquei os fones de ouvido do meu Samsung. Eu tinha um iPod, mas eu preferia as musicas do meu celular. Eu estava perdendo tempo lá, mas eu queria sair um pouco da rotina. Na verdade, não mudaria nada eu estar sentada numa praça. Ou pelo menos, eu achava que não mudaria nada.
Continuei sentada lá até o fim da ultima aula, ao som inspirador de "I don't wanna miss a thing" do Aerosmith, quando surge o menino mais atraente aos meus e aos olhos de varias outras solteiras de até cinco anos mais velhas, me entregando um convite, sem ao menos dizer uma palavra. Eu olhei o convite no mesmo silêncio.
"Churrasco numa casa de praia ?" eu disse com aquela desconfiança. É. Aquela.
"Sim, estamos chamando um pessoal para ir. Vai ser numa das casas do meu pai. Mas as outras informações estão aí." ele disse se convencendo que eu realmente iria. Ele disse com aquela voz tão linda, que eu fiquei olhando fascinada. A voz de Artie, consequentemente, virou uma vaga lembrança, virou um sonho. Um sonho noturno. Pois sonhar acordada com Artie era quase impossível depois de só o ver de longe. O destino não cruzava nossos caminhos, haviam meses. Haviam meses que o meu príncipe encantado dos sonhos estava vivendo sua vida. E eu, sobrevivendo.
"Espera aí! Você entregou para a pessoa errada" eu estava convicta.
"Eu tenho certeza que não. Alice Kirtke, não é ?" e depois pensei como ele sabia que EU era a Alice Kirtke.
"Sim. Mas..." e fui logo cortada.
"Ah! Já ia me esquecendo. Entregue o de sua amiga, Laura Zimmer, por favor ?" e abriu o sorriso iluminado, que eu não via há tempos, que eu sentia saudades. Eu sentia saudades de suspirar apenas por alguém, ou melhor, por Artie abrir a boca e mostrar aqueles dentes totalmente alinhados, brancos e perfeitos, com aquele sorriso que pode iluminar o mundo. Ou melhor, o meu mundo.
"Cla-claro, sem problemas." Gaguejei, dei um sorriso quase forçado e fiz aquela cara de como isso era óbvio. "Mas, porque estão ME convidando ?" e apontei para mim mesmo fazendo uma cara de interrogação.
"Estamos convidando a todos os que cursam Direito e Jornalismo. Mas mesmo se fosse mais particular, você iria mesmo assim. Afinal, você é super comentada num dos melhores grupos de estudo do Jornalismo." e continuou com aquele sorriso lá, como quem quer algo.
"Grupos de estudos ? Hã ? De quem ?" me tornei eufórica "Digo, quem é daquele grupo?" e voltei instantaneamente ao normal. Algo meio bipolar.
"Ah, estão a Rose, Marco, Artie, Ash..." eu o interrompi. E disfarcei olhando no meu simples relógio de pulso, que ficava no meu pulso esquerdo.
"Nossa, o A..A.. Olha, preciso ir, obrigado pelo convite" A palavra Artie simplesmente se trancou às minhas cordas vocais, com correntes e cadeados. Saí como uma desesperada, fechando meu caderno e derrubando um pouco de café, esquecendo totalmente as folhas que eu escrevia no chão.
Fiquei atordoada. No caminho, fui me acalmando, e fui andando mesmo até lá, pensando em como Artie Lewis podia sair falando de mim da maneira que ele achasse que deveria. Ele podia, no mínimo vir se desculpar por isso. Eu não ia me importar de dizer um 'sim''.
Cheguei em casa e arrumei minhas coisas. Percebi que estava faltando algo...algo importantissimo. Eram minhas histórias, baseada em fatos reais. Fatos tão reais, que qualquer um que lesse podia saber de tudo o que se passava na minha vida e na minha mente. Situações que eu desejava passar com Artie, o meu principe encantado dos sonhos, também estavam lá. Eram esboços dos meus pensamentos. Eu só tinha descoberto que escrever era uma ótima forma de externar meus sentimentos, de escrever minha vida, as vezes, de forma diferente, como eu gostaria que ela fosse. E eu tinha deixado os esboços e sonhos de uma vida surreal, mas válida, nas mãos do tentador Victor.

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