Dos poucos- dois- amigos que eu tinha, Laura era a que eu mais me encontrava, apesar de nós sermos totalmente diferentes. Claro que Victor já tinha se tornado um considerável amigo, mas Laura era diferente.Confesso que fiquei um pouco envergonhada com o beijo de Artie. Foi uma experiencia perfeita, com certeza. Mas minhas reações eram inesperadas. Eu reagia no impulso, e meu impulso era: olhar para o chão, falar num tom abafado, não olhar nos olhos e mudar o assunto do qual me deixa sem graça e me faz viajar pensando em tudo o que eu poderia fazer se tal coisa acontecesse. Eu tinha contado para Laura o que houve, mas sem detalhes porque detalhes nunca foram uma boa opção para mim, definitivamente, eu não era boa com as palavras. Sempre tinha um bloqueio entre a organização de meus pensamentos e minha boca, as palavras saiam atordoadas.Talvez seja por isso que eu só digo o necessário. E Laura sempre me deixava sem graça com seus comentários, mas fez eu me sentir bem e quis me converncer de que Artie era o 'homem da minha vida'. Eu sei que era exagero, mas eu só conseguia o ver dessa forma. Laura também dissera que eu devia tomar cuidado, porque não era qualquer olhar que poderia substituir o dele. Mas para minha foi uma idiotice momentânea, porque para mim era obvio que nada poderia substitui-lo. Mas eu devia acreditar. Eu só queria pensar em ter aquele beijo que me deixava acelerada, feliz e cada vez mais sonhadora novamente. Eu conseguia ser, de fato, feliz com a presença de Artie, conseguia esquecer todos os meus problemas e de quão perseguidor era meu passado. Artie tinha dominado minha mente de uma forma constante e irrevogável. Era quase indescritivel.
No dia seguinte nós nos vimos, eu passei por ele, mas não aconteceu nada além de troca de olhares e sorrisos disfarçados. Eu odiei ter que me conter, quando o que eu mais queria era sentir seus braços fortes entrelaçando meu corpo, como se eu fosse dele. O resto do meu dia foi com Laura, mas ela estava quieta por algum motivo que ainda não teria digerido, e mantido em segredo. Então foi como se eu estivesse sozinha. Depois ela me chamou para sair, talvez para contar o que estava acontecendo, mas eu preferi como de costume, sentar naquela praça. Dessa vez, para relembrar do que era bom, para sentir boas emoções novamente.
Fiquei lá por bastante tempo imaginando minha vida e ouvindo músicas tipo John Mayer. Eu fiquei lá, observando o dia nublado e fazendo varias analogias. Eu estava profunda como o oceano, e resolvi escrever, depois de tanto tempo. Eu tinha medo de escrever novamente, não pelas palavras que seriam escritas mas, sim, por medo de perdê-los novamente, como quem perde sem saber o por que, a essência do perdão.
Me virei para pegar meu caderno (eu finalmente tomei coragem), mas parecia que ele tinha se escondido em meio às suas próprias folhas e à escuridão do forro interno da mochila, pois demorei para o achar.
"Até que enfim te achei!" eu pensei alto.
"Nossa, eu que o diga, te procurei por toda parte, achei você tinha ido embora." uma voz veio por tras de mim, era uma voz conhecida, aquela voz que ficou na minha mente por um tempo estava bem nos meus ouvidos. Eu olhei para o lado, e la estava ele.
"Você ja devia saber que eu venho aqui quase todos os dias." eu disse por impulso.
"Posso começar a vir aqui com você, se você quiser, claro" eu olhei em seus olhos e eles sorriam.
"Seria uma boa ideia?" eu disse ironicamente.
"Acho que tudo seria uma boa ideia para mim, se eu estiver ao seu lado" e sentou do meu lado e passou seus braços por cima de mim, me abraçando.
Eu só consegui sorrir, e tentar não ficar vermelha, mas não consegui dizer nada. Fiquei ali aconchegada em seu peito, sentindo o cheiro doce de seu perfume masculino importado. Era tudo o que eu mais queria. Na verdade, era só o que eu queria.

MAIS MAIS MAIS, CADÊ O RESTO? :(
ResponderExcluir